Por volta do ano de 2007, uma estranha estrutura foi identificada no norte do planeta, na região da Groenlândia, por meio de plataformas de visualização e mapeamento, como o Google Maps. Naquela época, os canais de compartilhamento e as redes sociais ainda estavam engatinhando e eram bem menos numerosos do que os atuais, o que fez com que o assunto não ganhasse tanta atenção. Embora investigadores online tenham considerado a estrutura algo incomum, o caso acabou sendo esquecido com o tempo. Agora, anos depois, ela “ressurgiu” e, junto com ela, vieram à tona algumas teorias.
Com o recente interesse do governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, pela Groenlândia, diversas “teorias” passaram a surgir na internet. Apesar de ser uma área inóspita, a região dispõe de diversos recursos naturais. Além disso, a Groenlândia é um ponto estratégico fundamental no que diz respeito à geopolítica.
Durante a Segunda Guerra Mundial e, posteriormente, durante a Guerra Fria, os Estados Unidos mantiveram bases na região, principalmente por causa da posição estratégica da ilha no Atlântico Norte e no Ártico.
Agora, mais uma vez, os EUA vêm demonstrando interesse nessa rica região, com Donald Trump chegando a se oferecer para “comprá-la”. Isso, claro, gerou intensos debates ao redor do mundo. Afinal, por que esse forte interesse dos Estados Unidos em adquirir a Groenlândia?
Uma das hipóteses (pouco provável, mas não impossível) levantadas em círculos ufológicos e conspiratórios é a de que ali se encontraria uma “imensa nave”. Sobre ela, teria sido construída uma gigantesca estrutura com o objetivo de ocultá-la, já que não seria possível transportá-la. Essa estrutura, pouco conhecida e que hoje não pode mais ser encontrada por meio de plataformas de visualização e mapeamento, ficou conhecida como a Anomalia da Groenlândia.

Como se pode observar na imagem, o que parece ser uma imensa estrutura de coloração dourada, com cerca de 80 km de comprimento, estendia-se sobre o gelo da região groenlandesa. Mas não apenas isso: próximo à anomalia, também era visível uma grande faixa escura, de aparência incomum.
A teoria da nave ocultada
Recentemente, um usuário do Reddit fez uma postagem em um subreddit sobre o assunto. O post acabou sendo apagado, mas capturas de tela foram feitas antes disso. O OP (Original Poster – Postador Original) se referiu à suposta anomalia como um “OVNI arqueológico”.
O conteúdo da postagem era o seguinte:
Um dos OVNIs ‘arqueológicos’ está localizado na Groenlândia e era grande demais para ser colocado em qualquer navio. Em algum momento (de acordo com minha memória, talvez no final dos anos 1950), uma instalação de grande escala foi construída ao redor dele. Sei pouco sobre este caso específico, mas a construção fica aproximadamente no meio da Groenlândia, em sua maior parte subterrânea, e é muito mais longa na direção WNW–ESE do que na direção ortogonal. Houve alguns anos em que o topo da construção era visível (no Google Earth), provavelmente devido ao aquecimento interno e à fina camada de gelo acima. Mas isso foi antes de 2010. Ouvi falar disso pela primeira vez em 2006, no início de novembro. As coordenadas da instalação devem ser aproximadamente: 70°29’4.02″N 39°55’32.94″W. Não me lembro de ter ouvido nada sobre o formato do objeto por baixo, mas presumo que não fosse nem esférico nem em forma de disco. O que eu lembro é que havia um contêiner bastante grande que estava quase vazio, o que provavelmente era para armazenar material nuclear. Supostamente, isso estava quase vazio quando foi encontrado, mas não tenho certeza absoluta disso.
Curiosamente, embora não seja um detalhe reverente, houve outras grandes instalações subterrâneas criadas em outros lugares da Groenlândia, veja por exemplo:
https://en.wikipedia.org/wiki/Project_Iceworm
A dimensão linear aproximada do objeto pode ter sido semelhante (em ordem de grandeza) ao triângulo de Phoenix de 1997, mas o formato provavelmente não era o mesmo. Você provavelmente conseguirá ler mais sobre isso se os depoimentos feitos ao IG se tornarem públicos. Não confirmado, mas supostamente também havia muitos corpos (~100) dentro do objeto, talvez muito mais do que todos os outros corpos somados. E isso teria desempenhado um papel importante em rejeitar a hipótese extraterrestre em favor da hipótese de viajantes do tempo / civilização antiga. Duas imagens provavelmente relevantes são:
https://postimg.cc/BXWP514P (deveria estar visível no Google Earth com dados de meados dos anos 2000).”

Curiosamente, ao aprofundar a averiguação sobre o assunto, foi possível constatar que outras postagens, em diferentes subreddits, também foram apagadas. Isso, naturalmente, apenas intensificou as especulações. Estaríamos diante de algo realmente anômalo, a ponto de conteúdos relacionados ao tema estarem sendo sistematicamente suprimidos?

Hoje, não é mais possível encontrar tal estrutura em mecanismos de busca e plataformas de visualização e mapeamento, como o Google Maps ou o Google Earth, nem mesmo utilizando as coordenadas exatas e a opção de “exibir o histórico de imagens”. Ao tentar voltar no tempo para localizá-la, o que se vê é apenas um imenso vazio branco.
No entanto, há um detalhe intrigante: ao inserir atualmente a coordenada 70°29’4.02″N 39°55’32.94″W, ponto onde a anomalia supostamente se encontrava, observa-se apenas uma área quadrada do mapa em coloração cinza, destoando do restante da paisagem ao redor

Mas para isso podemos encontrar uma explicação prosaica: isso ocorre porque o Google utiliza imagens de sensores diferentes (como radar ou composições científicas) e registros feitos em datas ou estações distintas, que são combinados em um mosaico, gerando essa tonalidade no ambiente. Mas o que muitos questionam é isso não teria sido usado intencionalmente nesta área?
Uma explicação convencional
Mas nem todos acreditam que a imensa estrutura dourada se trate, de fato, de uma anomalia ou de algo criado artificialmente para ocultar uma gigantesca nave.
Em uma matéria publicada à época pelo site bibliotecapleyades, é apresentada uma explicação técnica segundo a qual a imagem da Groenlândia, assim como a maioria das imagens exibidas no Google Earth, é formada por um mosaico de fotografias captadas por diferentes satélites. Essas imagens são registradas em faixas sobrepostas à medida que os satélites orbitam a Terra.
Como cada imagem pode ser capturada em dias diferentes, sob condições distintas de iluminação, clima e ângulo solar, as bordas dessas faixas nem sempre coincidem perfeitamente. Esse desalinhamento pode gerar linhas diagonais, horizontais ou verticais sutis, além de variações inesperadas de cor e contraste.
No caso específico da chamada “anomalia da Groenlândia”, a análise aponta que o suposto objeto misterioso seria, na verdade, apenas um vislumbre colorido da própria paisagem abaixo, resultado da sobreposição imperfeita das imagens. A faixa dourada ou amarelada observada ao longo da borda superior da área alaranjada seria um efeito de cor falsa, comum quando imagens de diferentes sensores ou períodos são combinadas.
Esse segmento específico pode ter sido capturado por outro satélite, em um dia sem nuvens, em uma estação diferente ou até mesmo em outro ano. Além disso, as áreas claras e escuras presentes na região tendem a corresponder às mesmas formações visíveis nas imagens normais da paisagem branca ao redor, apenas com diferenças de tonalidade e exposição.
Em termos simples, essa explicação sugere que não existe uma estrutura física real sobre o gelo. O que se vê seria o resultado da junção de várias imagens distintas, cada uma registrada em condições diferentes. Esse processo pode gerar faixas coloridas, formas geométricas incomuns e contrastes estranhos, especialmente em regiões polares, onde o gelo, a luz e o clima variam constantemente.

Mas e a grande faixa preta próxima à anomalia? Segundo a explicação da matéria, o que se observa nessa área é a ausência total de qualquer imagem registrada. Isso indicaria que, naquele ponto específico, não havia dados disponíveis no mosaico original utilizado para compor a imagem final.
Existem várias razões possíveis para o aparecimento desse retângulo escuro, incluindo erros do operador durante o alinhamento das imagens, falhas nos dados captados pelo satélite, problemas no processamento dos arquivos ou inconsistências no fluxo de dados. As imagens de satélite percorrem um caminho extremamente longo desde o momento em que são capturadas até serem incorporadas ao banco de dados de plataformas como o Google Earth, passando por diversas etapas técnicas.
De acordo com essa interpretação, é altamente improvável que a faixa preta represente um objeto real presente na superfície. Ainda assim, a ausência completa de informação visual nessa área específica acaba chamando mais atenção do que o próprio objeto colorido que originou a controvérsia.

Ainda assim, apesar de essa explicação técnica ser plausível e coerente com o funcionamento dos sistemas de imagens por satélite, alguns pontos continuam sendo questionados. Em determinados contextos, faixas pretas ou áreas deliberadamente ocultadas já foram utilizadas para esconder instalações sensíveis, bases militares ou regiões consideradas estratégicas, especialmente em plataformas de visualização pública.
Esse fato leva alguns investigadores independentes a ponderar que a ausência total de imagem, em vez de um simples erro técnico, poderia representar algum tipo de mascaramento intencional. A ideia de que determinadas áreas possam ser propositalmente encobertas, seja por razões militares, políticas ou de segurança nacional, não é inédita e já foi documentada em outros locais do planeta.
Dessa forma, embora a explicação convencional faça sentido do ponto de vista técnico, ela não elimina completamente as suspeitas levantadas por aqueles que acreditam que algo sensível ou estratégico possa existir na região.

Seja o que for, há ainda quem sugira algo mais exótico. Dentro de círculos conspiratórios mais extremos, a anomalia da Groenlândia estaria relacionada à existência de antigos “faróis espaciais”, estruturas construídas por civilizações ancestrais de origem não humana, associadas às chamadas Nações Estelares. Segundo essa narrativa, esses faróis fariam parte de uma vasta rede instalada no espaço com a finalidade de navegação, localização e monitoramento energético em escala galáctica, e ao menos três deles teriam sido posicionados dentro do nosso sistema solar.
De acordo com essa teoria, esses faróis teriam formato retangular, dimensões colossais, chegando a dezenas de quilômetros de comprimento, e propriedades incomuns, como a capacidade de absorver completamente a luz e outras formas de radiação eletromagnética. Isso explicaria por que, em imagens de satélite, eles apareceriam como áreas totalmente escuras, semelhantes a “vazios” no mapa. Para os defensores dessa hipótese, a grande faixa preta próxima à anomalia não seria uma falha técnica, mas a silhueta visível de uma estrutura que não reflete luz, tornando-se perceptível apenas pela ausência dela.
A mesma narrativa afirma que esses supostos faróis teriam sido removidos de suas posições originais no espaço e trazidos à Terra durante a década de 1970, sendo instalados em regiões remotas e geladas, como o Canadá, a Groenlândia e áreas do Alasca, tanto para ocultação quanto para estudos secretos. Ainda segundo essa visão, eles exerceriam influência sobre campos eletromagnéticos e até sobre o clima, motivo pelo qual teriam sido posteriormente extraídos e devolvidos ao espaço.
Então, de qualquer maneira, a chamada “Anomalia da Groenlândia” já se consolidou como um fato para muitos pesquisadores independentes e entusiastas do tema. Independentemente da explicação adotada, seja ela técnica, geopolítica ou mais exótica, o caso continuará despertando curiosidade e dividindo opiniões.
Abaixo, veja um vídeo publicado em 2011 no YouTube, no qual um usuário registra em vídeo, por meio do Google Maps, uma das versões mais antigas da imagem associada à chamada Anomalia da Groenlândia.
