É difícil imaginar como seria o mundo com “seres mágicos” atuando e agindo em nosso meio, mas se “escondendo de nossas vistas”. É, mas é exatamente assim que agiriam os demônios e alienígenas.
Pelo menos em parte. Dentro do campo espiritual, os demônios existem e atuam em nosso meio. Entretanto, eles não se manifestam de uma forma conclusiva que nos possibilite medir, mensurar e evidenciar de forma definitiva suas ações. Assim também seriam os alienígenas.
Dentro da casuística ufológica, observem que eles também se manifestam em nosso meio, entretanto, sem provas conclusivas e definitivas.
Em ambos os casos, as entidades demoníacas e alienígenas parecem se entrelaçar e se desentrelaçar em nossa realidade.
Desde os princípios dos tempos, é dito e sabido que demônios existem; isso faz parte da cultura humana. Mas e quanto aos alienígenas?
Bem, estes, da forma como são concebidos hoje, também fazem parte da cultura humana, mas bem mais recentemente.
Para os mais afoitos, que fique claro que, sim, dentro do conceito etimológico da palavra, demônios por si só seriam alienígenas; estranhos, estrangeiros. Mas creio que todos saibam que estamos falando aqui de demônios (seres espirituais das crenças e religiões) e alienígenas (seres de outro local/mundo/extraterrestres).
Ora, primeiro temos que esclarecer que, dentro das religiões, como por exemplo a judaico-cristã, a islâmica, a hindu e muitas outras, manifestações alienígenas poderiam ter sido atribuídas a manifestações demoníacas ou angelicais. Mas isso não significa dizer: “esses eram/são os anjos caídos”. Confundir ou não interpretar corretamente algo devido à falta de conhecimento da época não tornaria, obviamente, uma coisa na outra.
É muito comum vermos, nos últimos tempos, cada vez mais pessoas aderindo à crença de que as entidades descritas na fenomenologia ufológica seriam demônios. Grande parte disso se deve a certos congressistas americanos pseudofundamentalistas seletivos que cada vez mais proselitizam tal visão.
Diferentes? Sim, diferentes
Mas… adentremos ao ponto: o que difere um demônio de um extraterrestre? Absolutamente tudo! Talvez nem tudo, porque, em alguns casos, esses aliens descritos são tão diferentes, feios e assustadores que qualquer um exclamaria que viu, de fato, um demônio. Fora isso, não há semelhança alguma, nem na forma existencial, nem na forma de atuação e nem na forma de manifestação.
Embora alguns defendam as similaridades em algumas situações, estas são sutis e absolutamente subjetivas.
Dizer que demônios gostam de sacrifício animal e comparar isso a uma suposta abdução de uma vaca, não demonstra nenhuma correlação, essencialmente falando. Enquanto seres demoníacos usufruiriam, de alguma forma, de um animal morto em um ritual, seres alienígenas se aproximariam em um objeto tecnológico, usariam algum dispositivo ou mesmo a força braçal e raptariam os animais. Isso é algo completamente diferente, ou não é?
Mas então me diga: em quantos rituais de exorcismo os demônios apareceram montados em uma vassoura ou em um tapete de Aladim? Seus interesses são totalmente imateriais. Demônios atuariam diretamente na alma, no espírito, no psicológico, “dentro do ser”, e não no mundo material.
Por que os alienígenas não só se manifestam materialmente, mas também utilizam tecnologia e meios para tal? Os aliens, na imensa maioria das vezes, são descritos vestidos ou nus, com capacetes ou sem eles, com dispositivos nas mãos ou não. Eles não são descritos de forma atuante como espíritos. Por quê? Porque, no conhecimento geral, espíritos não são nem atuam assim.
Um demônio, por sua essência, deixaria marcas no solo quando andasse? Qual demônio se comunicaria diretamente e fisicamente por grunhidos, na língua da testemunha, por gestos ou por telepatia direta? Conhecemos quantos exemplos assim?
São mundos completamente diferentes. Um, utiliza de meios que deixam vestígios físicos; marcas no solo, registros fotográficos, efeitos eletromagnéticos e ecos em radares. O outro, diretamente, nada deixa. Senão, comprovadamente, apenas manifestações associadas ao possuído.
E as anomalias e exceções?
Sim, mas também temos que ser honestos intelectualmente e dizer que, dentro da fenomenologia ufológica, existem excentricidades e exceções. Em alguns casos, os mundos parecem se misturar: espiritual e físico, material e imaterial, terreno e espacial.
Isso porque, às vezes, os casos são complexos, como, por exemplo, aqueles que envolveriam seres não materiais que parecem ser constituídos de energia, plasma ou alguma outra forma que não a material/física. Neste ponto, abro um espaço para indicar a leitura deste outro texto meu, no qual abordo em maior profundidade por que isso não necessariamente torna ou aproxima os seres do fenômeno de algo mais excêntrico como o espiritual.
Resumidamente, a falta de conhecimento, o desconhecimento da verdadeira natureza de um ser, nos impossibilita de chegar a uma conclusão. O que prova que aquele corpo, sua forma ou sua manifestação, não fazem parte apenas de uma tecnologia avançadíssima?
A resposta é simples: não sabemos.
Mas é justamente por não sabermos que não podemos preencher essa lacuna automaticamente com explicações espirituais, como: “são anjos e/ou demônios”. O desconhecido não obrigatoriamente se torna sobrenatural apenas por ainda não ter sido compreendido.
Uma visão distópica, ilógica e perigosa.
Tal rumo de visão leva e conduz, principalmente quando defendida por alguns ditos ufólogos, o fenômeno a um patamar distópico, ilógico e perigoso. A ufologia já sofre com isso desde o início, com os oportunistas espertalhões que tentam transformá-la em doutrinas, cultos e crenças.
A ufologia, embora não seja uma ciência, usa e deve usar várias disciplinas e métodos científicos para tentar compreender tudo o que engloba o fenômeno.
Quando cada vez mais pessoas deixam de seguir os dados para seguir suposições e crenças pessoais, cresce o descrédito da importância real do tema.
Nem sempre, convenhamos, podemos, pelos conhecimentos atuais, compreender ou tentar compreender tudo o que ocorre. Seres e entidades não humanas nos visitariam e/ou já estariam aqui convivendo entre nós em nosso mundo. Como conviver com isso? Como engolir um fato tão complexo e abrangente como este? Vamos simplesmente taxá-lo e chamá-lo de espiritual, afinal de contas, nessa visão, tudo, sem a necessidade maior de embasamento, é encaixado e aceito.
Não! Alienígenas não seriam demônios e nem anjos. Esses conceitos possuem bases e significados bem diferentes, já caracterizados na humanidade. Seres espaciais que nos visitariam: turistas, cientistas, sociólogos, psicólogos, analistas ou simplesmente “alguma coisa lá?”
O fato é que demônios e aliens estão muito longe de um mesmo patamar. Deixemos de tentar aplicar nossas crenças àquilo que nos fascina e que não compreendemos de imediato; isso nada mais é do que uma visão distópica dos fatos.
