Entre os muitos relatos ufológicos surgidos ao redor do mundo, poucos são tão estranhos quanto o caso do lenhador chinês Meng Zhaoguo. Ocorrido em 1994, numa região florestal da província de Heilongjiang, no nordeste da China, o episódio combina testemunhas independentes, possíveis efeitos físicos, semanas de comportamentos anormais, investigações oficiais e uma narrativa de contato extraterrestre que não encontra muitos paralelos nem mesmo dentro da própria ufologia.
Tudo começou em 27 de maio de 1994, na Fazenda Florestal de Hongqi, próxima à cidade de Wuchang. Naquela noite, diversos lenhadores observaram uma luz extremamente brilhante descendo em direção ao Monte Phoenix. O clarão foi tão intenso que muitos acreditaram estar diante da queda de um helicóptero ou de uma aeronave.
Os trabalhadores interromperam suas atividades e começaram a percorrer a montanha em busca dos destroços. Alguns estavam preocupados com possíveis sobreviventes, enquanto outros admitiam interesse em recolher sucata. Apesar das buscas, nada foi encontrado. Não havia sinais de fogo, fumaça ou qualquer vestígio de uma aeronave acidentada.

Entre aqueles trabalhadores estava Meng Zhaoguo, um agricultor e lenhador de 27 anos, com escolaridade básica incompleta. Dez dias depois, em 6 de junho, ele decidiu retornar à montanha acompanhado da sobrinha, Li Honghai. Segundo os dois, encontraram finalmente a origem do clarão observado dias antes. Mas não era um helicóptero.
Meng descreveu o objeto como uma gigantesca estrutura metálica em forma de girino, de coloração amarelada ou bege, equipada com duas caudas e medindo aproximadamente 150 metros de comprimento. Na parte superior existiria uma espécie de disco refletivo do qual emanava uma intensa luz amarela. Enquanto observavam a estrutura, ouviram um ruído estridente. Instantes depois, ambos alegaram ter sido atingidos por uma poderosa descarga elétrica que os obrigou a fugir em pânico.
Após o episódio, Meng passou a sentir dores intensas nos olhos e começou a afirmar que objetos metálicos comuns, como relógios, ferramentas e utensílios de trabalho, produziam pequenos choques quando ele os tocava. A história rapidamente se espalhou entre os trabalhadores da região e despertou a curiosidade do sindicato dos lenhadores.


Em 9 de junho foi organizada uma expedição com cerca de trinta homens para verificar a história. O grupo utilizou um telescópio para observar a área à distância antes de se aproximar. Um após o outro, os trabalhadores examinaram a região através da lente.
Todos relataram enxergar apenas árvores queimadas, rochas rachadas e uma área amarelada no terreno. Nada mais. Entretanto, quando o telescópio chegou às mãos de Meng, a situação mudou completamente. Segundo seu relato, o objeto continuava lá. Mais do que isso, uma figura humanoide encontrava-se ao lado dele.



Meng contou aos colegas o que estava vendo. Em seguida afirmou que a criatura retirou um objeto semelhante a uma pequena caixa e disparou uma intensa luz em sua direção. Quase imediatamente seu corpo começou a tremer. Ele soltou um grito e caiu ao chão. Os trabalhadores relataram que Meng entrou em uma convulsão violenta. Enquanto tentavam contê-lo, ele gritava repetidamente a palavra “luz”. Vários homens precisaram carregá-lo até um pequeno galpão próximo. Mesmo durante o trajeto ele insistia que o alienígena ainda estava presente e pedia que ninguém o tocasse. Curiosamente, os gritos diminuíram quando cobriram sua cabeça com roupas e um chapéu.
O comportamento de Meng tornou-se cada vez mais estranho. Em determinado momento ele colocou-se de cabeça para baixo apoiando todo o peso do corpo sobre as mãos. Como o teto do galpão era muito baixo, suas pernas chegaram a atingir e danificar parte da estrutura. Segundo testemunhas, foram necessários cinco homens para segurá-lo. Um médico foi chamado para examiná-lo e encontrou algumas características incomuns. Parte das sobrancelhas parecia ter sido queimada. A temperatura de sua testa era significativamente mais alta que a do restante do corpo. Seus olhos permaneciam arregalados e opacos, enquanto os globos oculares realizavam movimentos rápidos e involuntários. Algumas testemunhas afirmaram ainda que ele chegou a espumar pela boca.
Outro comportamento chamou atenção. Meng desenvolveu uma aversão extrema a objetos metálicos. Relógios, ferramentas, cintos e qualquer objeto de ferro provocavam reações de medo e agressividade. Ele chegou a discutir com moradores e com o próprio médico para que retirassem um estetoscópio de perto dele. Segundo os relatos, só se acalmava quando todos os objetos metálicos eram removidos do ambiente. O médico realizou ainda um teste incomum. Aproximou lentamente um cigarro aceso dos olhos e dos cílios de Meng. Segundo os presentes, ele não piscou nenhuma vez.
Nas semanas seguintes, o estado de Meng continuou a oscilar de forma preocupante. Ele passava longos períodos dormindo ou em estados que testemunhas descreviam como semelhantes a um coma. Quando despertava, frequentemente apresentava convulsões, sonambulismo e episódios de transe. Caminhava pelas ruas durante a madrugada sem aparente consciência do que fazia, gesticulava continuamente e, em alguns momentos, escrevia símbolos que ninguém conseguia identificar. Algumas pessoas acreditavam que os caracteres lembravam letras latinas ou cirílicas, embora Meng tivesse apenas o ensino fundamental incompleto e não dominasse nenhum idioma estrangeiro.

Enquanto isso, outros acontecimentos estranhos começaram a ser relatados na região. Moradores afirmaram que uma queda repentina de temperatura trouxe neve para a área em pleno mês de junho, algo considerado incomum até mesmo para a fria província de Heilongjiang. Também surgiram relatos sobre um enorme tornado cobrindo parte do Monte Phoenix. Segundo as testemunhas, o fenômeno possuía um formato incomum, estreito na parte superior e mais largo próximo ao solo, além de apresentar luzes vermelhas e azuis piscando dentro do funil.
A polícia iniciou uma investigação preliminar. Agentes percorreram as comunidades vizinhas entrevistando moradores e trabalhadores rurais para verificar se mais alguém havia observado algo no céu na noite de 27 de maio. Diversas pessoas confirmaram ter visto uma luz descendo em direção à montanha, mas ninguém conseguiu fornecer uma explicação convincente para o fenômeno.
Foi durante esse período que Meng afirmou estar vivendo uma experiência contínua em outra realidade. Segundo sua versão, após ser atingido pelo feixe luminoso disparado pela criatura na montanha, sua consciência passou a existir simultaneamente em uma dimensão diferente. Embora as pessoas ao seu redor o vissem em estados de transe, inconsciência ou sonambulismo, ele dizia estar perfeitamente consciente em outro lugar.
Nesse ambiente ele encontrou uma mulher humanoide gigantesca. Ela possuía aproximadamente três metros de altura, seis dedos nas mãos e aparência essencialmente humana. Usava roupas justas que cobriam praticamente todo o corpo e, segundo Meng, não apresentava características monstruosas ou ameaçadoras. A única diferença marcante, além da altura, eram os seis dedos em cada mão.

Meng afirmou que inicialmente sentiu medo e tentou evitá-la. Durante vários dias ela teria surgido repetidamente diante dele. Segundo seu relato, a humanoide demonstrava um interesse sexual claro e constante. Ele alegava que tentava resistir às investidas e afastá-la, mas as aparições tornavam-se cada vez mais frequentes. Mais tarde explicaria que os movimentos aparentemente sem sentido observados pelas testemunhas durante seus estados de transe correspondiam, na realidade, às tentativas de se defender dela.
Após algum tempo, afirmou ter cedido.
Posteriormente declarou que manteve cerca de quarenta encontros sexuais com a entidade ao longo das semanas seguintes. Segundo sua versão, esses encontros aconteciam enquanto sua esposa e sua filha dormiam na mesma casa. Em alguns momentos ele afirmava estar flutuando acima da cama. Meng descrevia a experiência como ocorrendo simultaneamente em outra dimensão e dentro de sua própria residência.
Durante um desses encontros, a humanoide teria utilizado um dispositivo semelhante a uma arma portátil. O aparelho foi apontado para sua perna. Meng disse não sentir dor, mas percebeu algo se formando sob a pele. A sensação lembrava pequenas verrugas crescendo internamente. Mais tarde ele relacionaria esse episódio ao aparecimento de marcas e cicatrizes em seu corpo.
Segundo Meng, toda essa experiência chegou ao fim em 17 de julho de 1994. Naquele dia, a humanoide apareceu pela última vez acompanhada por dois seres masculinos. Eles o conduziram para uma instalação semelhante a um enorme hangar onde diversos discos voadores estavam estacionados. O local, segundo descreveu, parecia funcionar como uma espécie de base operacional.
Utilizando um dispositivo tradutor, os seres teriam explicado que estudavam a Terra havia muito tempo. Disseram que sua civilização estava associada ao planeta Júpiter e que procuravam evitar um desastre astronômico envolvendo seu mundo de origem. Também afirmaram que desejavam melhorar as relações futuras com a humanidade.
Quando Meng perguntou se poderia voltar a encontrar a humanoide, recebeu uma resposta que se tornaria uma das partes mais curiosas de todo o caso.
Segundo os seres, ela ainda não havia nascido.
Disseram que o reencontro só seria possível cerca de sessenta anos depois, por volta da década de 2050, quando ela finalmente existiria.
Antes de retornar, Meng afirmou ter sido levado até Júpiter. Lá teria testemunhado o impacto do cometa Shoemaker-Levy 9 no planeta, um evento astronômico real ocorrido em julho de 1994 e amplamente divulgado pela comunidade científica internacional. Também alegou que procedimentos médicos foram realizados em sua perna antes de ser devolvido à Terra.
Na madrugada de 17 de julho, às 3h40, Meng despertou repentinamente. Segundo contou, encontrava-se usando apenas roupa íntima e sentia-se completamente recuperado. Ao examinar a perna, percebeu que uma ferida estava coberta por uma substância gelatinosa. Ele removeu o material manualmente, mas a substância acabou sendo descartada durante a limpeza da casa antes que pudesse ser analisada.
A história rapidamente chamou a atenção de jornalistas, pesquisadores e autoridades. Insatisfeitos com as respostas obtidas na primeira investigação, policiais realizaram uma segunda apuração utilizando agentes disfarçados. Um deles apresentou-se como repórter e outro como um simples interessado no caso. A intenção era recolher depoimentos mais espontâneos dos trabalhadores e moradores da região. Após comparar as versões obtidas, os investigadores concluíram que não encontravam evidências de uma fraude organizada ou de uma histeria coletiva, embora também não fossem capazes de oferecer uma explicação satisfatória para os acontecimentos.
A repercussão cresceu ainda mais quando a história chegou à Agência de Notícias Xinhua e passou a circular nacionalmente. O interesse foi suficiente para que órgãos ligados ao governo chinês enviassem especialistas para examinar o local do suposto incidente. Quando visitaram o Monte Phoenix, encontraram árvores queimadas, rachaduras e depressões em rochas na área apontada pelas testemunhas.
Exames médicos posteriores identificaram duas cicatrizes incomuns em Meng. Uma delas localizava-se no abdômen e a outra na coxa. Segundo familiares e conhecidos, essas marcas não existiam antes dos acontecimentos de 1994. Médicos afirmaram não conseguir relacioná-las a lesões comuns ou a qualquer procedimento cirúrgico conhecido em seu histórico. As cicatrizes permaneceram visíveis durante anos e ainda podiam ser observadas, embora de forma mais discreta, décadas depois.





Em setembro de 2003, Meng foi submetido a um teste de polígrafo em Pequim. O resultado indicou que ele parecia acreditar sinceramente em tudo o que relatava. Naturalmente, isso não constitui prova da existência de alienígenas, mas reforçou a impressão de que ele não estava inventando conscientemente a história.
Com o passar dos anos, o episódio transformou-se em um dos casos ufológicos mais famosos da China. Curiosamente, Meng nunca tentou lucrar com a história. Recusou contratos, evitou entrevistas e procurou manter uma vida discreta. Em alguns casos, quando era reconhecido em público, chegava a negar sua própria identidade para evitar atenção. Seus familiares também foram orientados a não comentar o assunto com estranhos.

Apesar da fama do incidente, Meng demonstrava desconforto com a notoriedade. Quando recebeu propostas de trabalho após a repercussão nacional do caso, aceitou apenas algumas poucas oportunidades. Eventualmente mudou-se para Harbin, onde trabalhou ligado ao ambiente universitário e levou uma vida relativamente tranquila.
Somente muitos anos depois voltou a falar publicamente sobre o ocorrido ao participar de um documentário exibido pela televisão estatal chinesa. Mesmo então, manteve essencialmente a mesma versão dos acontecimentos que vinha apresentando desde 1994.
Até hoje, o caso divide opiniões. Os críticos argumentam que não existe evidência física conclusiva capaz de demonstrar a presença de extraterrestres e sugerem que Meng pode ter sofrido algum tipo de episódio psicológico ou neurológico. Os defensores da autenticidade do caso apontam para as múltiplas testemunhas do fenômeno luminoso inicial, para as alterações físicas observadas por médicos, para as investigações oficiais realizadas na época e para o fato de que Meng jamais pareceu buscar fama ou benefício financeiro.
