Na noite de 18 de outubro de 1973, próximo à cidade de Mansfield, no estado de Ohio, Estados Unidos, ocorreu um dos mais conhecidos e bem documentados encontros entre militares e um objeto voador não identificado.
O caso envolveu uma tripulação da Reserva do Exército dos Estados Unidos a bordo de um helicóptero UH-1H, contou com testemunhas independentes em solo e, anos depois, levou o então tenente-coronel Lawrence J. Coyne a apresentar seu relato perante um comitê oficial das Nações Unidas.
O incidente
A tripulação contava com quatro militares: o tenente Arrigo Jezzi, de 26 anos, que pilotava o helicóptero a partir do assento esquerdo; o sargento John Healey, de 35 anos, médico de voo, sentado atrás do piloto; o especialista de quinta classe Robert Yanacek, de 23 anos, chefe da equipe, ocupando o assento traseiro direito; e o capitão Lawrence J. Coyne, de 36 anos, comandante do voo, sentado no assento dianteiro direito.

O helicóptero UH-1H da Reserva do Exército, baseado em Cleveland, Ohio, retornava de Columbus, Ohio, por volta das 22h30, após exames físicos de rotina realizados pelos militares. Era uma noite clara e estrelada, sem lua. A aeronave voava a aproximadamente 90 nós, a uma altitude de 2.500 pés (aproximadamente 762 metros) acima do nível do mar, sobre uma região de terras agrícolas e colinas onduladas.
Por volta das 23h, nas proximidades de Mansfield, Healey avistou uma luz vermelha à esquerda (oeste), deslocando-se para o sul. Três ou quatro minutos depois, Yanacek observou uma única luz vermelha constante no horizonte leste e comunicou o fato a Coyne. Cerca de 30 segundos depois, informou que a luz parecia estar se aproximando em direção ao helicóptero, fazendo com que todos passassem a observá-la com atenção.
Conforme a luz continuava a se aproximar, Coyne assumiu o controle da aeronave, tomando os comandos de Jezzi, e iniciou uma descida motorizada a aproximadamente 150 metros por minuto. Ele estabeleceu contato via rádio com o controle de aproximação de Mansfield, solicitando informações sobre possível tráfego de jatos. Após Mansfield confirmar a transmissão, o contato via rádio foi perdido tanto em UHF quanto em VHF.

A luz vermelha parecia estar em rota de colisão, aproximando-se a uma velocidade estimada em mais de 1.100 km/h. Coyne aumentou a taxa de descida para cerca de 610 metros por minuto até atingirem aproximadamente 520 metros de altitude, cerca de 180 metros acima das copas das árvores. Com o objeto desconhecido prestes a colidir com eles, os tripulantes temeram por suas vidas.
No momento em que a colisão parecia inevitável, a luz parou repentinamente e pairou acima e à frente do helicóptero. Foi aí que eles observaram uma impressionante cena: um objeto em forma de charuto, de aparência metálica cinza, com uma estrutura semelhante a uma cúpula, cujo tamanho aparente preenchia todo o para-brisa.
O objeto parecia sólido, obscurecendo as estrelas atrás dele. Tinha uma luz vermelha na parte frontal, uma luz branca na traseira e um característico feixe verde emanando da parte inferior da “fuselagem”, que, de resto, era lisa.
O feixe verde passou à frente do helicóptero, atravessou o para-brisa e iluminou os painéis superiores da cabine. Toda a cabine foi banhada por uma intensa luz verde, deixando todos os ocupantes atônitos. Por mais incrível que pareça, nenhum ruído ou turbulência foi percebido.
Depois que o objeto parou na frente do helicóptero e iluminou a cabine com a luz verde, ele teria acelerado e se afastado em direção oeste. Em seguida, segundo os pilotos, fez uma curva rápida de aproximadamente 45 graus para a direita, seguindo na direção do Lago Erie.
O ponto mais intrigante veio depois: os pilotos perceberam que o helicóptero estava subindo sozinho. O instrumento de altitude (altímetro), que mostra a altura da aeronave em relação ao solo, indicava que eles estavam a cerca de 1.070 metros de altitude e ainda subindo a uma velocidade de aproximadamente 300 metros por minuto.
O problema era que o comando usado para controlar a subida ou descida de um helicóptero, chamado coletivo, continuava na posição de descida. Em termos simples: o piloto havia deixado o controle ajustado como se o helicóptero estivesse tentando descer, mas, mesmo assim, a aeronave continuava ganhando altitude.

Foi como se o helicóptero estivesse recebendo uma força de subida que não correspondia aos comandos dados pelo piloto. Coyne então aumentou cuidadosamente o coletivo para retomar o controle normal da aeronave. Pouco depois, ao atingir cerca de 1.160 metros, ele sentiu que o helicóptero havia voltado a responder normalmente.
Em seguida, sentiram um leve solavanco. Ele então desceu para a altitude de cruzeiro previamente estabelecida de aproximadamente 760 metros e conseguiu contato via rádio, o que ocorreu sem dificuldades. O restante do voo até Cleveland transcorreu normalmente.
Testemunhas independentes em solo confirmaram o incidente
O relato da tripulação não foi o único daquela noite. Enquanto o helicóptero sobrevoava a região de Mansfield, diversas testemunhas em solo afirmaram ter observado um fenômeno compatível com o descrito pelos militares.
Uma delas foi a Sra. Erma C. e seus quatro filhos que por volta das 23h retornavam de Mansfield para sua casa rural, a sudeste da cidade. Enquanto dirigiam pela Laver Road, avistaram uma intensa luz vermelha deslocando-se em direção ao sul. Ela então virou o carro para o leste e continuou atravessando o reservatório de Charles Mill, percorrendo cerca de 5,8 quilômetros em aproximadamente cinco minutos.
Nesse momento, a família observou a luz vermelha e outra verde movendo-se juntas e descendo rapidamente em sua direção. A princípio, acreditaram tratar-se de um pequeno avião voando baixo, mas logo descartaram essa hipótese.
De início a luz vermelha era bastante intensa, principalmente em comparação com a verde. Inicialmente, não conseguiam distinguir a forma do objeto nem ouvir qualquer ruído. Somente quando pararam o carro e saíram para observar melhor passaram a escutar o som característico de um helicóptero. Enquanto observavam, perceberam que o objeto luminoso e o helicóptero haviam convergido.

Em seguida, a aeronave parou no ar e a luz verde tornou-se extremamente intensa.
“Quando saímos, tudo estava verde. Eu vi aquela coisa e o helicóptero.”
As testemunhas afirmaram que o helicóptero ficou completamente iluminado pela luz verde emitida pelo objeto.
“Era por causa da luz daquela coisa lá de cima… Era tão forte que não dava para enxergar muito longe. Tudo estava verde. As árvores, o carro, tudo.”
Segundo a família, o helicóptero continuou voando com o objeto posicionado acima e ligeiramente à sua frente, deslocando-se de sudoeste para nordeste. De repente, a luz verde se apagou e o objeto desapareceu.
“Quando a luz apagou, não dava para ver o objeto. E então o helicóptero foi para nordeste. Depois voltamos para o carro, continuamos a viagem e vimos o helicóptero sobrevoar o lago.”

Outra testemunha foi Jeanne Elias, de 44 anos, que assistia ao noticiário em sua casa, também a sudeste de Mansfield, pouco depois das 23h. Ela reconheceu o som de um helicóptero do Exército voando tão baixo e tão próximo que chegou a temer que a aeronave caísse sobre sua residência. O ruído persistiu por um período considerável e, quando cessou, seu filho John, de 14 anos, gritou do quarto. Despertado pelo barulho, ele observou uma intensa luz verde iluminando o ambiente.
A luminosidade permaneceu por tempo suficiente para que concluísse:
“Devia haver algum tipo de objeto bem acima da casa, porque a luz estava entrando com muita força no meu quarto.”
Posteriormente, a investigadora Jennie Zeidman realizou uma reconstrução cronológica minuciosa do incidente. Sua análise indicou que o objeto permaneceu continuamente visível para a tripulação do helicóptero por pelo menos cinco minutos. Essa duração, somada à consistência entre os relatos dos militares e das testemunhas em solo, levou Zeidman a concluir que a hipótese de um meteoro não era compatível com as características observadas.
Lawrence J. Coyne testemunhou o incidente perante a ONU
Cinco anos após o incidente, em 27 de novembro de 1978, Lawrence J. Coyne, então promovido a tenente-coronel da Reserva do Exército dos Estados Unidos, foi convidado a apresentar seu relato perante o Comitê Político Especial da 33ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. A audiência ocorreu durante as discussões propostas pelo governo de Granada sobre a necessidade de uma cooperação internacional para o estudo do fenômeno OVNI.
Em seu depoimento conscientizador, Coyne falou da necessidade de levar a sério o tema e descreveu detalhadamente o encontro ocorrido em 18 de outubro de 1973, reafirmando que ele e os outros três tripulantes observaram um objeto sólido em forma de charuto que emitiu um intenso feixe de luz verde sobre o helicóptero. Também relatou a perda temporária das comunicações por rádio e o comportamento incomum da aeronave, que ganhou altitude apesar de os comandos permanecerem ajustados para a descida.
O testemunho de Coyne tornou-se um dos momentos mais conhecidos das audiências da ONU sobre o fenômeno OVNI, por envolver uma testemunha militar experiente relatando oficialmente um incidente diante de representantes de diversos países.
Embora a audiência não tenha resultado na criação de uma investigação permanente pelas Nações Unidas, o depoimento passou a integrar os registros oficiais da organização e consolidou o Caso Coyne como um dos encontros militares com OVNIs mais documentados da história.
Clique aqui se quiser acessar o depoimento oficial de Coyne.
