Em seu livro “Num Disco Voador Visitei Outro Planeta”, Rossi descreve a experiência vivida a bordo de um disco voador, ou “volitor” (como o chamava), no ano de 1954.
O autor tinha 35 anos na época dos fatos e vivia na pacata cidade de Paraibuna, no Vale do Paraíba. Pessoa bastante simples, Rossi trabalhava como metalúrgico na cidade de São Paulo.
Em seu livro, escrito em 1957, ele narra de forma igualmente simples o contato ocorrido enquanto pescava à beira de um rio — um relato impressionante de uma viagem realizada a outro planeta a bordo de um disco voador.
Segundo Rossi, tratava-se de uma humanidade altamente avançada, marcada por uma evolução e um progresso que ultrapassavam tudo o que se poderia conceber. Os seres eram descritos como possuidores de uma compleição física distinta: nus, desprovidos de órgãos sexuais, muito altos e com peso aproximado de 120 kg. Tinham apenas dois dedos em cada mão e em cada pé, não possuíam cabelos e mantiveram contato direto com Rossi por meio de um ser identificado como Dr. Jânsle.

Por Pablo Villarrubia Mauso
Houve uma época em que algumas pessoas afirmaram ter viajado a bordo de discos voadores rumo a outros planetas. O verdadeiro boom desse tipo de relato ocorreu nos anos 1950, quando o polonês radicado nos Estados Unidos George Adamski declarou publicamente ter sido contatado por seres altos e loiros, supostamente originários do planeta Vênus, e que teria viajado pelo espaço exterior, orbitando a Lua e outros astros.
A maioria do público duvidou de suas palavras, assim como das fotografias obtidas nas imediações do célebre Observatório do Monte Palomar, na Califórnia. Curiosamente, pouco tempo depois começaram a surgir nos Estados Unidos e em outros países pessoas que afirmavam ter vivido aventuras semelhantes, como no controverso caso do suíço Billy Meier.
O Brasil não ficou de fora desse contexto. Alguns cidadãos também vieram a público relatar experiências extraordinárias, entre eles o professor de Direito Dr. João Freitas Guimarães, em 16 de junho de 1956, e o metalúrgico Antônio Rossi, em 1954. A imprensa deu grande destaque às peripécias do acadêmico, mas pouco falou sobre o proletário que teve a coragem de publicar, em 1957, um livro intitulado “Num Disco Voador Visitei Outro Planeta”.
As declarações de Guimarães e Rossi suscitaram duas interpretações opostas: uma que apontava para uma possível farsa ou desequilíbrio mental, e outra que defendia que ambos não teriam motivos para arriscar sua credibilidade social — especialmente o professor de Direito, por sua condição de homem público.
Se hoje a ufologia é um tema relativamente aceito por muitos, há mais de cinquenta anos o cenário era bem diferente. A determinação desses homens — e de tantos outros — em falar abertamente aos meios de comunicação da época sobre a possibilidade de vida fora da Terra é, no mínimo, admirável. Nada tinham a ganhar. O livro de Rossi, por exemplo, teve pouca repercussão, e a maioria dos exemplares foi distribuída entre amigos. Em contrapartida, havia muito a perder, sobretudo no âmbito social.
Esses “heróis” da época áurea da ufologia acabaram praticamente esquecidos. Contudo, em dezembro de 2005, quem escreve estas linhas conseguiu localizar, por telefone, o senhor Antônio Rossi. Na verdade, já não esperava encontrá-lo com vida, tantos anos haviam se passado desde sua ousada experiência cósmica. Confesso que não pude conter a emoção ao ouvir, do outro lado da linha — eu estava em Madri, na Espanha — a voz do homem que afirmava ter viajado a um estranho planeta habitado por seres altamente inteligentes e desenvolvidos.
Hoje, transcorridos mais de cinquenta anos desde sua experiência (à época em que este texto foi escrito, em 2011), Antônio Rossi, então com quase 89 anos, continuava afirmando de forma peremptória e natural que tudo o que relatou em seu raríssimo e esquecido livro era verdadeiro — sem mudar uma vírgula sequer. O subtítulo de sua obra já era, por si só, bastante sugestivo: “Espantoso relato de uma viagem feita a outro planeta, num disco voador. Evolução e progresso de uma civilização avançada que ultrapassa a tudo quanto se possa conceber”. Mais do que um simples subtítulo, ele exprimia um conceito que remetia às antigas viagens medievais, quando tudo era descrito como “espantoso e maravilhoso”, ao mesmo tempo em que abria uma porta para o futuro, para a ideia de evolução e modernidade.
O prefácio da obra foi escrito pelo general Levino Cornélio Wischral, importante militar do Exército no estado de São Paulo. Nele, afirmava: “Conhecemos perfeitamente o autor. Metalúrgico, homem simples, trabalhador, prestativo, de caráter virtuoso, exemplificando tanto no lar como na rua. Por isso mesmo, digno de estudo é o relato de Antônio Rossi, especialmente à luz do Evangelho, que nos diz que ‘na casa de meu Pai há muitas moradas’.”
São Paulo, 12 de abril de 1957.
Mas, afinal, o que realmente aconteceu com Antônio Rossi?
Encontro e embarque
Tudo aconteceu em uma tarde primaveril de 1954, quando Antônio Rossi tinha 35 anos. Juntamente com alguns amigos metalúrgicos, dirigiu-se ao norte do estado de São Paulo, à cidade de Paraibuna, às margens do rio homônimo. Enquanto os demais permaneciam reunidos, Rossi estava entretido em uma pescaria e havia se afastado do grupo quando, ao virar a cabeça, deparou-se com duas estranhas criaturas a cerca de 30 metros de distância.
A primeira reação do pescador foi de puro pavor. À medida que os seres se aproximavam, ele percebeu que estavam completamente nus. Não possuíam órgãos sexuais aparentes, eram muito altos — cerca de dois metros de altura — e tinham apenas dois dedos em cada mão e em cada pé. Eram totalmente desprovidos de cabelos. O corpo era atlético e não se notavam saliências ósseas aparentes.
Rossi começou a se acalmar ao perceber que ambas as entidades sorriam. Tinham olhos exageradamente grandes, com pupilas amareladas, não possuíam sobrancelhas e de seus rostos emanava uma expressão de bondade. O nariz era minúsculo e achatado, as orelhas pequenas e a cabeça um pouco maior que a humana, de formato ovalado.
— Desejam alguma coisa? — ousou perguntar o terráqueo.
Os seres não lhe responderam verbalmente. A entidade que estava mais à frente apenas levantou o braço e apontou para os próprios olhos. Nesse instante, Rossi passou a perceber sons dentro de sua mente, embora os seres não movessem os grossos lábios. Ele “escutou” algo como uma mensagem de que vinham em paz e eram habitantes de outro planeta.
— Tenha confiança em nós, pois viemos convidá-lo para visitar nosso mundo. Não estamos exigindo, apenas convidamos. Se aceitar, será por sua livre e espontânea vontade. Dentro de poucas horas lá chegaremos. Garantimos trazê-lo de volta com a mesma saúde e disposição em que agora se encontra; então poderá relatar aos seus semelhantes tudo o que viu e aprendeu… — disse um dos seres, conforme registrado no livro.
Após muita hesitação, Antônio Rossi acabou aceitando o convite, confiando na honestidade de seus estranhos interlocutores. Foi então conduzido até um verdadeiro disco voador, de cor cinza-pálida, com cerca de 30 metros de diâmetro. A nave tinha aproximadamente 9 metros de altura na parte central, onde se erguia uma cúpula, e pairava no ar sem qualquer contato com o solo, a cerca de meio metro de altura.
Rossi entrou por uma porta acessível por uma escada e, no interior do aparelho, encontrou outro ser com as mesmas características físicas dos anteriores.
Quando visitei Rossi, em julho de 2007, em sua humilde casa em um bairro periférico do Rio de Janeiro, ele rememorou aquela aventura impressionante:
— Um dos seres me estendeu a mão com uma espécie de copo, enchendo-o com um líquido grosso, parecido com mel. Disse-me para bebê-lo, pois era imprescindível para me preparar para a longa viagem. Pensei se aquilo não seria um veneno ou algum entorpecente para aguentar a travessia espacial. Acabei bebendo, pois achei que, morto, eu não serviria de nada para eles… — contou-me Antônio Rossi, então um afável ancião, cuja fisionomia e gestos transmitiam serenidade e bondade.
A sala onde se encontravam os três seres tinha cerca de oito metros de diâmetro. Era completamente circular, com paredes lisas e teto curvo em forma de cúpula, além de intensamente iluminada. Apesar da claridade, Rossi não conseguiu identificar a origem da luz, que descreveu como “intensa e difusa em todos os ângulos”, perfeitamente homogênea. Não havia qualquer sombra projetada, dando a impressão de que a iluminação emanava de todas as superfícies da nave.
É interessante notar que, em outros relatos de supostos convites para viagens em naves extraterrestres, repetem-se duas condições: a ingestão de um líquido para preparar o passageiro para a travessia e a presença de uma iluminação homogênea, aparentemente proveniente de todos os lados. Simples coincidências?
Voltando à descrição do interior da nave, no centro da sala havia uma mesa circular de cerca de dois metros de diâmetro, cercada por aproximadamente doze banquetas fixas ao solo, com cerca de 60 centímetros de altura. Cada uma possuía um único pé e estavam distribuídas simetricamente ao redor da sala, exceto no lado onde se encontrava um misterioso painel.
Esse painel media cerca de três metros de comprimento por 1,80 metro de altura e possuía uma série de estrias, alavancas e botões. No centro havia uma tela ovalada de aproximadamente 70 centímetros de ponta a ponta. Segundo Rossi, os botões se assemelhavam a sintonizadores, alguns opacos e outros luminosos. Por mais que observasse, ele não encontrou fios, cabos, ponteiros, tomadas ou relógios, como os existentes em aeronaves humanas.
— Parecia que tudo havia sido fabricado em um único bloco do mesmo material. As alavancas corriam em estrias ou canaletas, e havia outros dispositivos desconhecidos, com pequenas marcações por baixo — recordava Rossi, semicerrando os olhos, como se tentasse visualizar novamente o interior da nave.
Ao redor da sala havia uma série de pequenas janelas ovaladas, com cerca de 25 centímetros, dispostas a uma altura aproximada de 1,80 metro e separadas por linhas divisórias. Rossi tentou localizar alguma porta, mas só percebeu uma que se abria deslizando; ao se fechar, suas reentrâncias simplesmente desapareciam. Tudo o que via apresentava formas arredondadas: não havia absolutamente nada quadrado ou com ângulos retos.
Em determinado momento, os seres chamaram o passageiro para observar a tela do painel. Surgiu então uma esfera esverdeada no centro da imagem, que foi se aproximando gradualmente. Nela, Rossi passou a distinguir rios, montanhas e lagos, até reconhecer o que lhe pareceu ser a cidade de São Paulo, com seus edifícios e o aeroporto de Congonhas, vistos com espantosa nitidez e proximidade.
Durante a viagem pelo espaço, os seres “conversavam” mentalmente com Antônio Rossi. Diziam que, em seu planeta, praticavam esportes, levavam uma vida ao ar livre e mantinham uma alimentação saudável. Segundo afirmaram, eram vegetarianos, abominavam o consumo de carne animal e demonstravam verdadeiro horror aos insetos.
Chegando ao planeta
Quando a nave se aproximou do planeta dos seres, Antônio Rossi vislumbrou uma cidade de formato oval que parecia ser inteiramente construída de vidro. O pouso ocorreu de forma suave e, do lado de fora, uma comitiva aguardava para recepcionar o visitante terrestre. Vestido com calças de pescaria, camisa rasgada, mangas arregaçadas, um velho sapato de borracha e um facão à cintura, Rossi sentia-se constrangido diante de um traje tão andrajoso.
Homens, mulheres e crianças davam-lhe boas-vindas, acenando e sorrindo. Alguns se aproximavam e o abraçavam cordialmente.
— Naquele momento percebi uma ausência total de ruídos, como se tudo estivesse envolto por uma música sutil e misteriosa. Observei também que as ruas tinham formato tubular, feitas de um material semelhante ao vidro, talvez com cerca de 180 metros de largura, enquanto as calçadas mediam aproximadamente 40 metros. As casas eram invariavelmente redondas, transparentes, equidistantes entre si, cercadas por jardins floridos, mas sem janelas — recorda Rossi.
Nesse instante, o visitante percebeu a diferença entre homens e mulheres apenas pelo comportamento mais delicado do sexo feminino, embora não apresentassem seios aparentes nem outros sinais sexuais externos. Tampouco viu pessoas obesas. Observou numerosos veículos transitando pelas ruas e avenidas. Mais tarde, seus anfitriões lhe explicaram que os chamados “volitores coletivos” circulavam a uma velocidade média de 1.500 km por hora.
Esses veículos assemelhavam-se a um cilindro vertical de cinco metros de altura, encimado por uma cúpula de cerca de dez metros de diâmetro. Eram semitransparentes e, em seu interior, dispunham de numerosas banquetas redondas distribuídas ao longo da periferia. No centro havia uma mesa circular. Não necessitavam de condutores: cada passageiro simplesmente indicava o destino por meio de botões em painéis internos.
No centro das avenidas existiam plataformas destinadas ao pouso dos discos voadores. Para atravessar as largas vias, os habitantes utilizavam pequenos veículos transparentes com cerca de quatro metros de diâmetro. No planeta não havia veículos particulares — apenas transporte coletivo. Rossi soube mais tarde que aquela sociedade vivia uma espécie de socialismo avançado, que “facilitava a recuperação moral e física dos menos favorecidos pela sorte”.
De fato, aquela civilização não utilizava dinheiro, e quase todos os serviços eram coletivos e gratuitos. Não havia guerras nem disputas extremas entre seus habitantes.
Um dos seres apresentou-se a Rossi como doutor Jânsle, um médico encarregado de servir-lhe como guia. Entre muitas explicações, Jânsle revelou que seu povo se reproduzia por um método peculiar, denominado “ósculo germinativo”, uma espécie de beijo prolongado. Como não possuíam órgãos sexuais, a fêmea dispunha de uma bolsa gestacional e de uma pequena incisão natural que permitia o nascimento do filho. Outra característica singular daqueles seres era a ausência de pulmões: respiravam diretamente pela pele.
— Além dos esportes, uma das atividades mais apreciadas pelos habitantes daquele planeta é o cultivo de flores, que costumam viver entre 180 e 220 anos. São de uma beleza inigualável — relatou Rossi.
Nos parques que visitou, as árvores apresentavam folhas em tons amarelo-avermelhados, como se estivessem quase secas, mas eram intensamente floridas, com flores do tamanho de um prato.
Outro aspecto curioso das cidades era a iluminação noturna, feita por projetores chamados “futuores”. Eles lançavam ao céu fortes jatos de gases que se inflamavam, produzindo uma luz fria e formando uma grande abóbada luminosa a cerca de 100 metros de altura, cuja claridade penetrava nas residências transparentes.
Quanto à alimentação, os habitantes do planeta de Jânsle — cujo nome não quis revelar — nutriam-se de “sucos vitamínicos” extraídos de frutos. Não possuíam dentes e mantinham os alimentos na boca durante alguns minutos antes de absorvê-los. Também não dispunham de sistema de excreção, nem líquida nem sólida.
Medicina, religião e sociedade
Jânsle levou Rossi a um hospital, onde o visitante presenciou uma cirurgia descrita como “totalmente limpa”.
— As partes desagregadas de um ferimento, como sangue e tecidos danificados, eram removidas por sucção através de um aparelho. Outro instrumento aplicava um líquido incolor que cobria a ferida, completando a desinfecção. Em seguida, um terceiro dispositivo projetava um líquido transparente e pegajoso, semelhante a um plasma, que se acumulava nas cavidades e promovia a cicatrização — relembrava Rossi.
O médico também falou sobre religião. Referia-se à “grandeza e ao poder infinitos de Deus”, afirmando que seu povo se aproximava do Criador à medida que ampliava o conhecimento do Universo. Seus locais de culto consistiam em quarenta grandes abrigos circulares, sem paredes laterais, com telhados em forma de cúpula sustentados por colunas dispostas simetricamente.
No interior, centenas de banquetas eram organizadas em filas, semelhantes às igrejas terrestres. Em um plano mais elevado, destacavam-se oito assentos maiores, onde se acomodavam os sacerdotes. No centro havia uma mesa circular com um aparelho denominado “fone-visão”, no qual eram projetadas imagens de ensinamentos espirituais, como o princípio do “amai-vos uns aos outros”.
Segundo Jânsle, eles acreditavam que “a vida é única e eterna” e que os seres realizavam sucessivos estágios de aprendizado, atravessando fases da vida em diversos planetas, repetindo as lições quantas vezes fossem necessárias. Algo semelhante às concepções de reencarnação ou mesmo às chamadas “viagens astrais”.
Os volitores espaciais, segundo o médico, podiam alcançar velocidades entre 2.600 e 85.000 km por hora, chegando, em ocasiões excepcionais, a até 300.000 km por hora.
Esportes e tecnologia
As atividades de lazer também ocupavam lugar importante naquela sociedade. Rossi foi levado a um estádio onde se praticava um jogo peculiar. No campo, viam-se círculos desenhados no solo, equidistantes cerca de 90 centímetros entre si. Cada equipe possuía 23 jogadores — 12 atacantes e 11 defensores.
O objetivo do jogo consistia em deslocar-se rapidamente pelos círculos, saltando de um para outro. Os defensores tentavam impedir os atacantes de alcançar a meta, situada em uma meia-lua ao final de cada extremidade do campo. Caso um jogador pisasse fora do círculo ou tocasse sua borda, era penalizado.
Embora não utilizassem armas, aquele povo possuía dispositivos de defesa conhecidos como “raios guítricos”, semelhantes a raios laser de baixa e alta frequência, com enorme poder destrutivo — teoricamente capazes de desintegrar a Terra em apenas 20 minutos. No entanto, devido à sua filosofia pacifista, jamais eram empregados com fins ofensivos.
Jânsle mostrou ainda uma sala com doze capacetes que funcionavam como “projetores mentais”. Ao colocar um deles, Rossi recebeu um feixe de luz no rosto e foi instruído a criar um “desenho mental”. Pensou imediatamente no morro do Corcovado, no Rio de Janeiro. Ao abrir os olhos, viu na tela diante de si a imagem exata do Corcovado com o Cristo Redentor, tal como havia imaginado.
O regresso
Chegou, enfim, o momento do retorno à Terra. Assim como na ida, Rossi ingeriu novamente o líquido viscoso para se preparar para a viagem. Jânsle aconselhou-o a escrever um folheto relatando sua experiência naquele planeta situado em algum ponto do Universo. Prometeu ainda retornar no futuro para levá-lo a visitar outros três mundos.
Um deles teria 96% de sua superfície coberta por água, onde os habitantes enfrentavam escassez de alimentos e a presença de terríveis monstros marinhos, semelhantes a brontossauros e dimetrodons. Outro planeta, que Rossi jamais chegou a visitar, seria habitado por seres “semimateriais”, com expectativa de vida de cerca de 3.600 anos, cuja existência era predominantemente mental.
A nave retornou exatamente ao mesmo ponto às margens do rio onde Rossi havia sido recolhido. Ele despediu-se de seus anfitriões com lágrimas nos olhos. Ao consultar seu relógio, percebeu que marcava precisamente 17h06 do dia anterior e estava parado. Pela posição do sol, estimou que fossem cerca de dez horas da manhã.
Mais adiante, encontrou os companheiros de pescaria, que, aflitos, perguntaram onde ele havia passado a noite, pois não o haviam encontrado.
Rossi permaneceu em silêncio, cumprindo a promessa feita a Jânsle de não revelar nada durante os oito dias seguintes. Disse apenas que passara a noite pescando em outra parte do rio. Após esse período, reuniu os colegas de trabalho durante o café para contar-lhes o ocorrido.
— Disseram que eu havia sonhado; outros afirmaram que viver só de líquidos não era possível… ninguém acreditou na minha história — relatou, encolhendo os ombros.
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