O ano era 1967 quando um episódio incomum ocorrido no interior de Goiás entraria para a história da Ufologia Brasileira. O protagonista do caso foi José Inácio de Souza, capataz de uma fazenda localizada na região de Crixás. Segundo os relatos, um encontro com um objeto voador desconhecido teria desencadeado uma sequência de acontecimentos que terminaria de forma trágica.
Aos 41 anos, José Inácio levava uma vida simples ao lado da esposa, Maria de Souza, e dos cinco filhos do casal. Trabalhava havia vários anos na Fazenda Santa Maria, onde era considerado um funcionário de confiança. Pessoas próximas afirmavam que ele não possuía qualquer interesse por assuntos relacionados a discos voadores e sequer tinha familiaridade com esse tipo de história.
Na tarde de 13 de agosto de 1967, José Inácio e Maria retornavam para casa quando notaram algo fora do comum na pista de pouso existente na propriedade. À distância, puderam observar uma enorme estrutura repousando no local. O objeto, descrito posteriormente como semelhante a uma grande bacia invertida, possuía cerca de 35 metros de diâmetro.
Sem compreender o que estava diante de seus olhos, o casal passou a observar a estranha cena que se desenrolava diante deles, dando início a um dos casos mais conhecidos e trágicos da casuística ufológica nacional.

Próximo ao objeto encontravam-se três figuras humanas vestindo trajes inteiriços de coloração semelhante à pele. O comportamento desses indivíduos chamou a atenção de Inácio de Souza, que mais tarde descreveu a cena em seu depoimento.
Segundo ele:
“Eu e Maria voltamos para Crixás e os seres estavam lá. Eu pensei que eles eram pessoas que vieram nos visitar, mas eu estava um pouco com medo do tipo de avião que eles tinham. Eram pessoas da mesma aparência que nós, exceto que pareciam carecas. (Não sei se eles tinham cabelo). Eles estavam brincando e brincavam como crianças, mas em silêncio. Quando nos viram, apontaram o dedo para nós e começaram a correr em nossa direção.”
Num primeiro momento, Inácio acreditou estar diante de pessoas comuns associadas àquela estranha aeronave. No entanto, a aparência incomum dos indivíduos e a presença do enorme objeto pousado na propriedade fizeram com que ele ficasse apreensivo. A situação tornou-se ainda mais tensa quando as três figuras perceberam a presença do casal e passaram a se deslocar rapidamente em sua direção.

Assustado com a aproximação das estranhas figuras, Inácio reagiu instintivamente. Temendo pela segurança da família, ordenou que sua esposa corresse para dentro de casa. Como carregava uma espingarda, decidiu atirar contra o indivíduo que estava mais próximo.
Segundo seu relato, a resposta foi imediata.
“Gritei para minha esposa correr para casa. Como eu estava com uma espingarda, atirei naquele que estava mais perto. Nesse momento, saiu do avião uma luz verde, como a de uma lanterna, que me atingiu no peito, do lado esquerdo. Caí no chão. Minha mulher correu em minha direção e pegou a arma, mas os homens já tinham voltado para o avião. Então ele decolou verticalmente, em alta velocidade, fazendo um ruído parecido com o de abelhas.”
Nos dias seguintes, o estado de saúde de Inácio começou a se deteriorar. O episódio só chegou ao conhecimento dos pesquisadores por intermédio do proprietário da Fazenda Santa Maria, identificado apenas pelas iniciais A. S. M., que preferiu manter sua identidade em sigilo.
O fazendeiro não estava presente quando o incidente ocorreu. Ele retornou à propriedade três dias depois e encontrou seu funcionário debilitado, algo que lhe chamou imediatamente a atenção, já que Inácio era conhecido por sua resistência física e raramente adoecia.
Ao desembarcar de seu avião na fazenda, foi recebido pela esposa de Inácio, que informou que o marido estava passando mal. Intrigado, dirigiu-se até a residência do capataz para saber o que havia acontecido.
“Quando o vi deitado, perguntei: ‘O que você tem, rapaz?’. Então ele respondeu: ‘Patrão, eu matei um homem!’. Fiquei surpreso e quis saber como aquilo havia acontecido. Foi então que ele me contou toda a história, dizendo que se assustou com aqueles homens e acreditou que eles poderiam sequestrar sua família.”
Embora já tivesse algum conhecimento sobre relatos envolvendo objetos voadores não identificados, A. S. M. optou por não comentar esse assunto com Inácio. Segundo ele, o capataz acreditava que os estranhos visitantes fossem pessoas vindas de São Paulo.
Decidido a verificar pessoalmente o local onde o objeto teria pousado, o proprietário iniciou uma busca por possíveis vestígios do disparo efetuado por Inácio. A expectativa era encontrar manchas de sangue ou qualquer sinal de que alguém tivesse sido atingido pelo tiro. No entanto, nada foi encontrado.
A ausência de evidências chamou sua atenção. Conhecendo a habilidade de Inácio com armas de fogo, considerava improvável que ele tivesse errado um alvo a curta distância. Além disso, o capataz demonstrava forte remorso, convencido de que havia tirado a vida de uma pessoa durante o incidente.

Segundo o proprietário da fazenda, os efeitos do suposto encontro começaram a se manifestar quase imediatamente. Durante os dois primeiros dias após o incidente, Inácio passou a sentir náuseas intensas, tremores nas mãos, formigamentos e uma sensação de dormência que atingia praticamente todo o corpo.
Preocupado com a rápida piora de seu funcionário, A. S. M. decidiu levá-lo a Goiânia para uma avaliação médica mais detalhada. Antes da viagem, recomendou que Inácio evitasse comentar o ocorrido com outras pessoas.
Durante o exame clínico, os médicos identificaram uma marca incomum no lado esquerdo do tórax. Tratava-se de uma lesão circular com aproximadamente 15 centímetros de diâmetro, localizada próxima ao ombro, cuja aparência lembrava uma queimadura. O tratamento inicial foi direcionado para essa lesão, enquanto os demais sintomas foram atribuídos, em um primeiro momento, a uma possível intoxicação.
Ao tomar conhecimento da história relatada por Inácio, um dos médicos passou a questioná-lo mais detalhadamente. Quis saber se outras pessoas haviam presenciado o episódio e se ele já tinha tido contato anterior com relatos sobre objetos voadores não identificados. Inácio respondeu que sua esposa também havia visto os estranhos indivíduos e afirmou jamais ter observado algo semelhante ou ouvido falar sobre o assunto anteriormente.
Diante do quadro clínico, foi solicitada uma série de exames laboratoriais, incluindo análises de sangue, urina e fezes. O resultado trouxe uma notícia devastadora.
Após alguns dias de observação, Inácio recebeu alta. Surpreso com a decisão, A. S. M. procurou explicações junto à equipe médica. Segundo seu relato, foi informado de que os exames apontavam para um caso avançado de leucemia e que as perspectivas de sobrevivência eram extremamente reduzidas. O fazendeiro também afirmou que o médico demonstrou desconforto em associar a doença aos acontecimentos narrados por Inácio, preferindo tratar o episódio apenas como um caso médico comum.
Enquanto isso, a condição física do capataz continuava se deteriorando. Com o passar das semanas, surgiram manchas branco-amareladas espalhadas pelo corpo, acompanhadas de dores cada vez mais intensas. O homem forte e saudável que todos conheciam passou a perder peso rapidamente, tornando-se apenas uma sombra de si mesmo.
No dia 11 de outubro de 1967, apenas 59 dias após o episódio ocorrido na Fazenda Santa Maria, Inácio de Souza faleceu. Segundo relatos da época, mesmo debilitado pelos sofrimentos dos últimos dias, ele ainda pediu à esposa que queimasse sua cama, seu colchão e seus objetos pessoais após sua morte.
O Caso Crixás permanece até hoje como um dos episódios mais controversos da Ufologia Brasileira. Para os pesquisadores que estudaram a ocorrência, a sequência entre o alegado contato, o aparecimento da queimadura, o agravamento dos sintomas e o diagnóstico de leucemia levantou questionamentos que nunca foram totalmente esclarecidos.

Embora alguns pesquisadores defendam que a exposição ao feixe luminoso tenha contribuído para acelerar a evolução da doença que acometeu Inácio, não existe comprovação científica de que o encontro com o objeto tenha sido a causa direta de sua leucemia ou de seu agravamento.
Ainda assim, a sequência dos acontecimentos, a queimadura relatada e a rápida deterioração de sua saúde continuam sendo apontadas por estudiosos do caso como elementos que tornam o episódio um dos mais intrigantes e trágicos da Ufologia Brasileira.
