Um interessante caso de Contato de Terceiro Grau ocorreu na aldeia de Emilcin, na Polônia. Pouco conhecido, esse inusitado incidente envolvendo o fazendeiro Jan Wolski destaca-se como um caso ímpar, tanto por suas características peculiares quanto pela quase total ausência de contaminação por influências externas ou pela mídia.
Jan Wolski (pronuncia-se Ian Vol-ski), nasceu em 29 de maio de 1907 e faleceu em 8 de janeiro de 1990. Era um fazendeiro da aldeia de Emilcin, situada no sudeste da Polônia. Teve pouca instrução formal: cursou apenas três anos do ensino primário, depois recebeu aulas particulares por um ano e, por fim, frequentou mais dois anos de escola na aldeia vizinha de Zosin. Era casado e pai de quatro filhos.
No dia 10 de maio de 1978, Jan Wolski retornava para casa em uma charrete puxada por sua égua. Vinha de uma aldeia próxima, onde havia levado o animal para cruzar com um garanhão. Como a estrada principal era asfaltada e muito dura para a égua, que ainda não possuía ferraduras, ele optou por seguir pelo acostamento e, em seguida, por uma trilha na floresta, utilizada como atalho até sua residência.

De tempos em tempos, ele entrava em trechos de mato fechado, cujos galhos tocavam e arranhavam seu rosto. Decidindo sair daquela área mais densa, retornou à trilha principal. Foi então que avistou dois seres caminhando à sua frente.
Os seres saltaram sobre um trecho de lama; porém, um deles não conseguiu completar o salto corretamente, pisando no barro e deixando para trás uma marca incomum de calçado, claramente impressa na lama.
Wolski passou entre os dois seres, um de cada lado do caminho, e, em seguida, eles saltaram para dentro de sua carroça. Nesse momento, ele pôde observar melhor suas características: rostos esverdeados, olhos amendoados, uma fenda no lugar da boca, uniformes pretos, levemente semelhantes aos de mergulhadores, além de pequenas membranas entre dois dos dedos.
As vozes eram agudas, e eles falavam entre si de forma extremamente rápida, em uma língua totalmente desconhecida para Wolski. A princípio, ele acreditou tratar-se de algum tipo de chineses, imaginando que tivessem o rosto pintado de verde por alguma razão.

Quando Wolski e sua carroça chegaram a uma clareira, ele avistou, à direita, um objeto flutuando, quase imóvel, realizando apenas um leve movimento de subida e descida. O objeto era branco e lembrava um ônibus, com formato paralelepipédico e cantos arredondados. Era absolutamente silencioso e não apresentava qualquer tipo de emenda visível em sua superfície.
Wolski foi então “convidado” a entrar no objeto. Até aquele momento, nenhuma porta era visível. Subitamente, surgiu uma espécie de “elevador”, semelhante a uma plataforma sustentada por quatro cabos, que desceu até o solo. A plataforma voltou a subir rapidamente.
Um dos seres permaneceu no chão, enquanto outro subiu na plataforma junto com Wolski. No interior do objeto, havia ainda outro membro da “tripulação”, que acompanhou a subida junto deles
(Nota: Jan Wolski e um dos seres que encontrara).

O interior da nave era inteiramente grafite, sem qualquer tipo de iluminação visível, painéis ou dispositivos aparentes. Assim como o exterior, apresentava-se totalmente homogêneo, sem emendas ou junções. O único equipamento que Wolski conseguiu identificar foram “bancos” que se projetavam diretamente das paredes do objeto.
Um dos seres segurava algo semelhante a varetas, que inseria repetidamente em finos orifícios em uma das paredes, manipulando-as de maneira precisa.
Outro ser parecia alimentar-se de algo semelhante a gelo, com formato aproximado ao de estalactites encontradas em cavernas (do inglês icicle), embora o material aparentasse ser macio, semelhante a um bolo. O ser ofereceu um dos pedaços desse “gelo” a Wolski, que recusou.
Em um dos cantos da nave, Wolski notou uma pilha de pássaros de cor preta, aparentando serem gralhas ou corvos.
[N.T.: no original, os termos “rooks” ou “crow”].

Por meio de gestos, os seres, ainda no interior da nave, indicaram que Wolski deveria se despir. Após fazê-lo, passaram a coletar medidas de seu corpo, utilizando dispositivos que lembravam dois pequenos pratos ou pires, colocados um sobre o outro. Eles tocavam todo o corpo de Wolski, batendo esses “pratinhos” entre si, de forma semelhante ao som de castanholas. Demonstraram especial interesse por seu cinto de couro.
Concluído o exame, sinalizaram para que ele se vestisse novamente. Wolski sorriu para os seres — relatando não ter sentido medo — e fez uma leve reverência. Os seres reagiram com uma espécie de careta, como se tentassem retribuir o sorriso, e também corresponderam à reverência.
Em seguida, Wolski e um dos seres retornaram à plataforma, que desceu rapidamente, parando a cerca de 50 centímetros do solo.
Wolski apressou-se em voltar para casa, ansioso para contar à família e aos amigos tudo o que havia acontecido. Quando um de seus filhos e um vizinho correram até a clareira, o objeto já não se encontrava mais no local. O que restou foi apenas uma área de grama, onde nada voltou a crescer por anos, exatamente no ponto em que o objeto permaneceu.
Posteriormente, apenas uma vegetação amarelada passou a surgir no local. A área permanece marcada até os dias atuais, embora de forma menos visível.

Este é o tipo de relato em que pessoas como Wolski costumam parecer protagonistas únicos. Entretanto, surpreendentemente, não foi o caso. Outras pessoas da vizinhança também relataram ter visto, em momentos distintos e sob circunstâncias diferentes, ora os seres, ora a nave, ou até ambos.
De fato, duas crianças da aldeia de Emilcin, Adam e Agnieszka Popiołek (pronuncia-se Po-pio-uec), afirmaram ter visto um estranho “ônibus” elevando-se sobre o telhado do celeiro de sua casa. Adam relatou ainda ter observado um “piloto” através de uma espécie de janela da nave. O menino contou o ocorrido à mãe, que se encontrava dentro da casa e havia ouvido um estrondo incomum. Após relatar o fato, Adam e sua irmã retornaram ao quintal para brincar, sem comentar o ocorrido com mais ninguém.
Algum tempo depois, a mãe das crianças ouviu, por meio de um vizinho, sobre a suposta “abdução” de Wolski. Até então, Adam não havia comentado sua observação com qualquer outra pessoa. A situação permaneceu assim até a chegada do pai das crianças. Adam então lhe contou o que havia visto, mas o pai não deu muita atenção, pois estava com pressa e precisou sair rapidamente.
Nesse intervalo, a senhora Popiołek relatou à irmã o que havia ouvido do vizinho, sem que Adam participasse da conversa. Mais tarde, ao retornar para casa, o pai decidiu ouvir novamente o filho, desta vez com mais atenção. Adam então descreveu detalhadamente tudo o que observara e chegou a fazer um esboço da nave.
Outra testemunha parece ter observado uma nave praticamente idêntica, embora em local e data diferentes. Henryk Marciniak (pronuncia-se Mar-tchi-niac) relatou um avistamento ocorrido em 27 de setembro de 1978, em uma pequena cidade do centro-oeste da Polônia.
Na tarde daquele dia, Marciniak havia ido colher cogumelos em uma clareira quando, repentinamente, avistou um objeto estranho. Após alguns instantes, montou em sua motocicleta e dirigiu-se em direção à nave. Em questão de segundos, surgiu uma abertura, inexistente momentos antes, da qual dois seres emergiram.
Os seres posicionaram-se ao lado de Marciniak, que lhes estendeu a mão em um gesto de cumprimento. Os supostos alienígenas demonstraram interesse pela motocicleta e, por meio de gestos, pediram que ele subisse no veículo. Nesse momento, um zumbido foi ouvido vindo do interior da nave. Os seres então retornaram lentamente para o objeto, que em seguida ergueu-se e desapareceu.

Mas os acontecimentos de Emilcin não se encerram por aí. Outros relatos e indícios surgiram nas proximidades, reforçando a complexidade do caso:
- O proprietário de uma fazenda em Emilcin, localizada a cerca de 200 metros da clareira, relatou ter ouvido um ruído estranho no mesmo período dos acontecimentos.
- Dois homens, que viajavam de Varsóvia para Opole Lubelskie, afirmaram ter observado um objeto incomum no céu.
- Tadeusz Baranowski, artista plástico que produziu esboços durante as investigações em Emilcin, encontrou penas de pássaros pretos, possivelmente corvos, cortadas de maneira incomum, levantando questionamentos adicionais sobre o ocorrido.
Todo o conjunto de eventos foi exaustivamente investigado pelo então renomado ufólogo Zbigniew Blania-Bolnar, falecido em 2003. Ele liderou uma equipe multidisciplinar composta por profissionais de diversas áreas — psiquiatra, psicólogo, biólogo, hipnólogo, médico, físico, entre outros — conduzindo o que é considerado um dos estudos mais bem documentados já realizados sobre o caso Emilcin.

Durante a investigação, foi completamente descartada a hipótese de que Wolski tivesse inventado a história, não restando dúvidas de que ele descreveu aquilo que efetivamente viu e vivenciou. As conclusões da pesquisa foram posteriormente apresentadas no livro Zdarzenie w Emilcinie (Um Evento em Emilcin).
Pouco antes disso, o Caso Wolski já havia sido documentado em formato de história em quadrinhos, na revista Relax, em 1978, sob o título “Visitantes”, com ilustrações de Grzegorz Rosiński e Henryk Kurta.

O Incidente de Emilcin é considerado um relato de referência de rapto, com pouca ou nenhuma contaminação por influências externas e ausência de exposição midiática, características que o diferenciam dos casos de contato e abdução amplamente divulgados nos Estados Unidos.
