Na década de 1970, o Chile viveu um dos períodos mais intensos de sua história ufológica. Somente em 1977, dezenas de relatos de objetos voadores não identificados foram registrados em diferentes regiões do país, incluindo avistamentos de luzes anômalas, objetos metálicos de grande porte e encontros imediatos com entidades humanoides. Diversos pesquisadores consideram aquele ano um marco da ufologia chilena, e um dos casos mais singulares ocorreu na pequena localidade rural de Alto Jahuel, a cerca de 45 quilômetros ao sul de Santiago.
Foi ali que o empresário e agricultor Marco Antonio de la Cuadra, de 70 anos, afirmou ter protagonizado um encontro que permanece entre os episódios mais curiosos investigados por ufólogos chilenos.
Era a noite de 17 de agosto de 1977. Por volta das 21 horas, Marco Antonio estava sozinho no segundo andar de sua casa quando ouviu um forte zumbido vindo dos fundos da propriedade, onde mantinha um criadouro de coelhos.
O som era tão intenso que chamou imediatamente sua atenção. Pensando que pudesse haver algum problema próximo ao galpão dos animais, ele saiu da residência e caminhou por uma trilha de terra em direção ao local de onde vinha o ruído.
Ao chegar, encontrou algo completamente inesperado.
Diante dele estava um objeto gigantesco de formato oval, imóvel sobre o terreno. Anos depois, descreveu o tamanho da estrutura dizendo que parecia “um prédio”, devido às suas dimensões. O objeto emitia uma luminosidade suave e um zumbido contínuo, mas não produzia vento nem levantava poeira ao redor.

Cara a cara com o humanoide
Enquanto observava a enorme estrutura, Marco Antonio virou a cabeça para o lado e percebeu que não estava sozinho.
A poucos metros de distância havia uma figura humanoide de aparência completamente humana.
Segundo seu relato, tratava-se de um homem de aproximadamente 1,80 metro de altura, aparentando cerca de 40 anos, com cabelos loiros, pele clara e traços faciais tipicamente europeus. Posteriormente, pessoas próximas à testemunha afirmaram que Marco Antonio dizia que o indivíduo tinha aparência semelhante à de um homem austríaco.
O visitante vestia um macacão branco muito ajustado ao corpo, descrito por algumas fontes como branco e por outras como levemente prateado. A roupa era inteiriça, fechada até o pescoço, e incluía botas e luvas integradas ao traje. Curiosamente, ele não usava capacete, máscara ou qualquer equipamento respiratório.
A expressão da entidade foi descrita como calma e amigável.

Uma conversa sem palavras
Marco Antonio afirmou que o estranho indivíduo não moveu os lábios para falar.
Mesmo assim, ele compreendeu perfeitamente a mensagem que recebia.
Segundo a testemunha, a comunicação ocorreu de forma direta em sua mente, sendo interpretada como uma espécie de telepatia.
O humanoide explicou que ele e outros companheiros faziam parte de uma expedição de pesquisa científica. O objetivo da missão seria coletar espécies animais da Terra para serem levadas ao seu planeta de origem. Em determinado momento, a entidade comentou que tinham interesse especial em peixes, pois seriam utilizados para repovoar águas estagnadas em seu mundo.
Marco Antonio respondeu que não criava peixes, apenas coelhos.
Foi então que aconteceu o episódio que tornaria o caso famoso.

Os quatro coelhos
O visitante perguntou se poderia levar alguns daqueles animais.
Sem demonstrar medo, Marco Antonio ofereceu quatro coelhos de sua criação, dois machos e duas fêmeas da variedade conhecida como coelhos arminhos (também chamados de coelhos-doninha em algumas traduções).
Ele colocou os quatro animais dentro de uma gaiola e a entregou ao humanoide.
A entidade então fez um pedido bastante específico.
Disse para Marco Antonio colocar a gaiola no chão, virar-se de costas para o objeto e não olhar para trás até que o zumbido desaparecesse completamente.
A testemunha afirmou que obedeceu sem questionar.

Enquanto permanecia de costas, Marco Antonio percebeu que o ambiente mudou completamente.
Uma densa névoa iluminada começou a envolvê-lo, acompanhada por uma intensa claridade ao seu redor. O zumbido diminuiu gradualmente até desaparecer.
Somente então ele se virou.
O objeto já não estava mais ali.
A gaiola permanecia exatamente onde havia sido colocada, mas estava completamente vazia. Os quatro coelhos haviam desaparecido.
Marco Antonio afirmou que não encontrou pegadas, marcas no solo nem qualquer outro vestígio que explicasse o desaparecimento dos animais.
Um objeto de dimensões incomuns
Durante entrevistas posteriores, a testemunha insistiu que o objeto era muito maior do que um disco voador convencional descrito em outros relatos.
Ele dizia que sua altura lembrava a de uma construção de vários metros, motivo pelo qual utilizou a expressão “parecido com um prédio”. Apesar do tamanho, o objeto permaneceu silenciosamente suspenso ou apoiado no terreno, emitindo apenas o zumbido constante.
Nenhuma luz intensa saiu da nave durante o encontro direto com a entidade. A luminosidade parecia difusa e envolvia todo o objeto.
Uma testemunha que sempre transpareceu seriedade
O episódio ganhou notoriedade nacional quando Marco Antonio aceitou conceder uma entrevista ao jornalista Patricio Bañados, da TVN, para um programa dedicado a casos de OVNIs e encontros com supostos extraterrestres.
Segundo pessoas que participaram da produção, o agricultor transmitia a impressão de ser alguém extremamente simples, reservado e convicto do que estava contando.
Patricio Bañados jamais apresentou o caso como uma prova da existência de extraterrestres, mas destacou a serenidade da testemunha e a ausência de qualquer tentativa de obter fama ou benefício financeiro.
Essa postura chamou a atenção de diversos pesquisadores chilenos.
Após a entrevista, Marco Antonio de la Cuadra praticamente desapareceu da mídia.
Ele nunca publicou livros, nunca participou de circuitos ufológicos e recusou novas aparições públicas sobre o assunto.
Décadas depois, em 2016, um homem que se identificou como filho de Marco Antonio publicou um comentário no blog Ovnis y Paranormal afirmando que seu pai sempre manteve exatamente a mesma versão dos acontecimentos durante toda a vida e nunca buscou publicidade por causa da história.
Esse depoimento reforçou a imagem de uma testemunha discreta, característica frequentemente citada por pesquisadores do caso.
