Parece que o querido Gevaerd está se revirando no túmulo… Não seria impossível imaginar tal cena, já que agora o projeto de toda uma vida, sua amada revista, está “nas mãos” de ninguém mais, ninguém menos que seu “eterno” rival, Urandir Fernandes de Oliveira.
Sim, o Grupo Revista UFO foi comprado por Urandir Fernandes. A confirmação oficial ainda não foi publicada, mas, nos bastidores, já está feita.
Em uma publicação hoje no Instagram, o atual dono e herdeiro, Daniel Gevaerd, filho do falecido Ademar Gevaerd, declarou a venda da revista e disse que “uma nova fase vai começar… Em poucos dias, todos saberão das novidades” e, segundo ele, “será grandioso, será incrível e você faz parte disso!”.
Entenda o espanto de tal compra
Todos sabem da rixa histórica; a compra da revista por parte de Urandir pegou todos os entusiastas brasileiros com absoluta surpresa e espanto, já que eles, Urandir Fernandes e Ademar Gevaerd, eram rivais públicos e “usuais de muita munição processual”.
Eles se conheceram nos anos 80 e, de lá até o falecimento de Gevaerd em 2022, mantiveram uma história de inimizade.
Urandir surgiu no cenário nacional na época como uma avalanche. A mídia abriu um espaço relativamente grande para ele, que sempre alegou ser um contatado e paranormal, com poderes psíquicos e etc. Logo, Gevaerd, que o achava um charlatão e não de fato um legítimo contatado nem possuidor de nenhuma capacidade anormal, começou sua jornada para combatê-lo.
Essas divergências e brigas geraram alguns episódios famosos entre os dois na ufologia nacional.

Em 1999, durante o programa do Ratinho, Urandir acusou Gevaerd de “forjar OVNIs” para desacreditá-lo em sua então adquirida fazenda para o seu antigo Projeto Portal, no município de Corguinho, Mato Grosso do Sul, hoje conhecida como Cidade Zigurats.
Gevaerd afirmava que, na verdade, na fazenda de Urandir não acontecia nenhum fenômeno UFO. Era apenas Urandir, junto a outros comparsas, forjando com lasers e lanternas supostas aparições com o intuito de angariar recursos financeiros dos indivíduos que iam lá para presenciar os eventos, ou seja, enganar.
Mas foi no ano de 2010 que a figura de Urandir ganhou realmente visibilidade na mídia. Nesse ano, o Domingo Espetacular exibiu a famosa entrevista com o “ET Bilu”, um suposto ser extraterrestre interdimensional que Urandir alega até hoje contatar. Bilu também apareceu no “Conexão Repórter” do SBT, no “CQC” da Band e em muitos outros programas de TV.
A história ganhou notoriedade nacional e internacional, com Gevaerd novamente aparecendo e tecendo duras críticas públicas ao que chamou de “a maior vergonha que aconteceu na ufologia brasileira”.
Gevaerd disse que morou em Campo Grande entre 1982 e 2008, onde conheceu Urandir, e afirmou que o nome “Bilu” era o nome de um gato seu, já morto.
“Eu dizia pro Urandir que os truques dele eram tão ruins que nem meu gato Bilu acreditaria. Ele fez isso para me provocar. ET tem que ter nome de ET, não de bicho.”, declarou Gevaerd à Folha em 2011.

Ainda mais recentemente, em 2018, Gevaerd criticou duramente deputados estaduais do Mato Grosso do Sul após homenagearem Urandir com uma moção de congratulação e chamou o episódio de “chacota nacional”.
Em nota de repúdio, Urandir afirmou que era “perseguido por Ademar” e que tal perseguição já tinha resultado em condenação por danos morais.
“Recorrerei à justiça quantas vezes forem necessárias”, disse Urandir na nota, acrescentando que a moção de congratulação foi uma “ação meritória” pelas pesquisas realizadas pelo “Dakila” e sua contribuição econômica ao Estado.
Dakila é um instituto idealizado por Urandir que, em 2018, lançou o documentário “Terra Convexa”, que tentou provar que o planeta não é nem plano (como defendem os “terraplanistas”) e nem esférico, como descreve a ciência, mas sim “convexo”, uma espécie de bacia.
Desde 2021, Urandir divulga o seu banco, BDM Digital, que atua com uma criptomoeda de mesmo nome e tem página própria no site G1. É nessa mesma época que cria a holding Ecossistema Dakila, abarcando todas as empresas criadas por ele em um mesmo guarda-chuva. Entre elas, destacam-se a 067 Vinhos, a Air Pantanal, uma empresa aérea, e a Kion Cosméticos.
Mas foi em 2022 que o empresário conseguiu alcançar uma repercussão tão grande quanto a do ET Bilu, sendo o responsável pela disseminação da “cidade de Ratanabá”, uma alegada cidade perdida na Floresta Amazônica que teria outrora sido a “capital do mundo”, construída há 450 milhões de anos por seres extraterrestres, o que Gevaerd criticaria até hoje se estivesse entre nós.
Compra da revista por Urandir gerou ‘evasão em massa‘

Talvez, mais do que a recente reviravolta envolvendo o Caso Varginha, a compra da Revista UFO pelo empresário Urandir Fernandes tenha gerado extrema polêmica na ufologia nacional, o que não seria de menos. A situação provocou a saída em massa de algumas figuras centrais da revista. Um dos primeiros a anunciar sua saída foi o ufólogo Thiago Luiz Ticchetti, que era editor-chefe da revista e a estava conduzindo após o falecimento de Gevaerd.
Mais cedo, em sua conta no Instagram, ele informou em um comunicado à ufologia mundial que seu “último trabalho à frente da revista será a edição UFO 302, de fevereiro”, dizendo que sua saída “ocorre para que a nova administração tenha plena liberdade para definir, com autonomia, o novo caminho editorial e estratégico que a Revista UFO irá percorrer daqui em diante.”
Outro que anunciou sua saída logo em seguida foi o ufólogo Marco Antonio Petit, coeditor da Revista UFO há décadas e presidente da Comissão Brasileira de Ufólogos. Em sua conta, também no Instagram, anunciou com “grande tristesa” sua saída.
Petit disse que seu envolvimento com a publicação vem desde o lançamento de sua antecessora, a Revista “Ufólogia Nacional e Internacional”, lançada em março de 1985 pelo seu grande amigo e irmão Ademar José Gevaerd.
“Minha decisão de afastamento, dentro de minha avaliação, nesse momento, é a melhor forma de continuar a respeitar o nome do maior editor da história da Ufologia Mundial.”
Outros pesquisadores e ufólogos também anunciaram seu desvinculo com a revista, assim como grupos, canais e podcasts.
O ufólogo, especialista em análise fotográfica e cinematográfica, Inajar Antonio Kurowski (Toni Inajar), em um anúncio em um grupo fechado do WhatsApp, disse que está deixando a revista “por motivos particulares e pessoais”. Agradeceu a todos e afirmou que sai com “profundo pesar”.
Enquanto isso, o podcast Acredite se Quiser, em uma postagem no Instagram, agradeceu o legado da revista e comunicou o “encerramento imediato de sua parceria e vínculo com a Revista UFO”.
“Esta decisão foi tomada em decorrência da recente mudança na gestão da revista. Esclarecemos que não compactuamos com a nova direção e com os rumos que a publicação está seguindo. Por esse motivo, a partir de hoje, qualquer relação com a Revista UFO deixa de existir.”
Outro que abandonou o barco foi o grupo CIFE, liderado pela investigadora da MUFON Fernanda Pires, que também anunciou seu desvinculo com a revista. Em comunicado também no Instagram, agradeceu à antiga administração da Revista UFO por ter confiado em seu trabalho, mas que estava comunicando o “encerramento do ciclo do grupo com a Revista”.
Reação da comunidade ufológica
Como era de se esperar, a comunidade ufológica está reagindo ao ocorrido, e as reações estão longe de ser positivas. Embora o atual proprietário da revista, Daniel Gevaerd, ainda não tenha anunciado oficialmente para quem a publicação foi vendida, os comentários já se espalham rapidamente.
Dentro de grupos e canais nas redes sociais, as críticas a essa “transação financeira”, após a surpresa e o espanto iniciais, estão realmente intensas.
A comunidade ufológica demonstra dificuldade em aceitar que a Revista UFO possa ter sido vendida justamente para Urandir Fernandes, não apenas por seu histórico de inimizade com o fundador da revista, mas também por seu próprio histórico controverso dentro da ufologia.
As impressões que circulam são de “puro interesse financeiro” e de que “dinheiro realmente compra tudo”. Afinal, o que mais poderia justificar tal decisão?
O legado da Revista UFO na ufologia brasileira e mundial sempre foi de prestígio e respaldo. Mesmo quando se abriu ao lado mais esotérico da ufologia, ainda assim manteve sua respeitabilidade dentro da comunidade ufológica.
Não se sabe qual será o futuro da revista a partir de agora, se continuará mantendo seu padrão editorial ou se se tornará mais um espaço para as divulgações das ideias e crenças do Sr. Urandir.
Mais informações serão fornecidas em breve, mas, até lá, se existe vida após a morte, alguns estarão esperando inquietamente.

Que notícia excelente para a Ufologia Séria . . .
sou associado de Dakila Pesquisas à mais de 22 anos. presenciei a perseguição descabida e louca de Ademar Gevaerd por anos em cima de nosso então Projeto Portal. à mais ou menos 10 ou 12 anos, num contato coletivo, Bilú nos informou que iríamos adquirir a Revista UFO. o espanto foi geral e não entendemos a necessidade. agora em 2026 a promessa de Bilú se realiza…..