Mudinho, capivara, casal de anões, macacos das cavernas, um drogado… já vimos de tudo quando se tenta apresentar uma hipótese que não seja a de um possível ser extraterrestre para o episódio ocorrido no município de Varginha, em Minas Gerais, no ano de 1996.
Desde que surgiu e foi divulgado ao mundo, o Caso Varginha vem sendo motivo de grande repercussão. Isso porque não se trata de um simples relato de avistamento de seres estranhos, mas de um episódio que envolveria mais de uma testemunha direta e diversas outras indiretas, além de relato de morte, acobertamento, intervenção militar e até mesmo a presença de supostos “MIBs”.
É claro que o caso envolve muito mais elementos. A princípio, ninguém questionava o que as “três meninas” poderiam ter visto. No entanto, com o passar do tempo, outras explicações, em sua grande maioria pouco prováveis, passaram a ser apresentadas.
Uma investigação oficial do Exército Brasileiro, concluída em 1997, mas tornada pública apenas em 2010, afirmou que o que as três jovens provavelmente viram não era um ser extraterrestre, mas sim um morador local com deficiência física e mental, conhecido pelo apelido de “Mudinho”. Essa acabou se tornando a explicação mais conhecida, justamente por se tratar de uma versão oficial do incidente.
Mas para quem não sabe, também existe a chamada “‘teoria’ da capivara“, a risória explicação do “casal de anões” e, mais recentemente, a “hipótese” dos “macacos que teriam saído de cavernas“, defendida pelo “Gordão dos Foguetes” Sérgio Sacani. Há ainda outras cogitações menos difundidas e igualmente improváveis, como a de um “drogado com olhos vermelhos”.

E, para acrescentar ainda mais complexidade e polêmica ao caso, surge agora a mais nova tentativa de explicação para a origem dos seres avistados em Varginha. Segundo essa “teoria”, eles seriam uma espécie de “entidades interdimensionais provenientes de um portal aberto durante um ritual satânico”.
De acordo com o pesquisador brasileiro Rony Vernet, que ganhou notoriedade no cenário ufológico nacional após investigações e a obtenção de material oficial relacionado ao caso dos indígenas do Acre, que teriam sido atacados por UAPs, e mais recentemente por retornar à região e instalar um centro de monitoramento científico para a coleta de dados do fenômeno, o que foi avistado em Varginha pode estar muito além de tudo o que já foi proposto até hoje.
Rony é um espiritualista assumido e simpatizante da hipótese interdimensional. Ele vem explorando com frequência a possibilidade, defendida também por alguns políticos norte-americanos, de que o fenômeno UFO seja muito mais espiritual do que físico.
Há algum tempo, ele já vem deixando sua exótica visão sobre o fenômeno explícita. Em seu canal no YouTube, faz lives, compartilha vídeos e cortes, e expõe no que acredita.
Hoje, em postagens em suas redes sociais, Vernet publicou uma chamada para seu mais novo documentário, “A Face Oculta de Varginha: Poder, Dinheiro e Rituais”, no qual, segundo ele, serão revelados, após mais de um ano de investigações de campo, “experimentos rituais de magia negra conduzidos ao longo de décadas, realizados por milionários da cidade de Varginha, com o objetivo de invocar criaturas híbridas humano-animal, de olhos vermelhos, na mesma floresta onde os supostos ETs teriam sido capturados”.
O documentário também apresentará, de acordo com ele, múltiplos depoimentos de testemunhas das criaturas provenientes desses rituais, novos relatos de militares e um documento inédito do governo brasileiro, que expõe parte do acobertamento.
Cautela diante do exposto
Rony Vernet, engenheiro eletrônico e de computação, possui um histórico de atividades de cunho técnico-científico voltadas à coleta de dados do fenômeno. Ele é idealizador do Projeto Vigília, que monitora os céus do Rio de Janeiro com câmeras em busca de UFOs. Em 2024, criou e adaptou um centro de monitoramento com características científicas mais abrangente no Acre e também mantém uma estrutura na região antártica, que além de monitorar a atmosfera, tem como objetivo observar e registrar atividades UAPs.
No ano de 2024, durante sua viagem ao Acre, que resultou no documentário “Fenômenos na Amazônia: Encontros Indígenas”, Rony apresentou o que seriam as primeiras evidências do fenômeno captadas por seu centro de monitoramento. Entre outras declarações, ele alegou forte atividade do fenômeno na região:
“Eu testemunhei lá múltiplos fenômenos, desde luzes a ‘poltergeist’, e quatro tipos de fenômenos já foram filmados pelos equipamentos.”

No entanto, o que foi apresentado pelo pesquisador acabou se resumindo a uma imagem ampliada e tratada de um “ponto de luz” e a uma suposta “varredura” de um OVNI, que posteriormente se mostrou, após análises, tratar-se de um efeito causado pelos LEDs de infravermelho presentes na câmera.
Ele também carrega outras controvérsias e equívocos relacionados ao fenômeno UFO. Em 2023, durante uma viagem ao deserto do Atacama, no Chile, Vernet registrou possíveis UAPs e afirmou ter observado luzes com forma humanoide, além de interações com o fenômeno. Contudo, novamente, as evidências apresentadas se limitaram a pontos de luz nas filmagens.
Em junho de 2021, durante uma vigília ufológica na Serra da Beleza, região conhecida por avistamentos, Vernet capturou fotos e vídeos do que interpretou como um objeto luminoso e supostos seres gigantes próximos ao “Cruzeiro”, uma cruz de 8 metros, localizada no topo de um morro.
Mas análises mais recentes, porém, passaram a questionar essas alegações, apresentando evidências que colocam em dúvida o que teria sido visto e presenciado por ele naquele episódio.
Ponderações à parte, o novo documentário que será apresentado por Rony diverge diretamente da nova minissérie que está sendo exibida pela Rede Globo e que teve seu primeiro episódio exibido ontem, “O Mistério de Varginha”. A produção reúne antigos e novos testemunhos, argumentos a favor e contra, mas acaba conduzindo o espectador a apenas duas possibilidades: ou uma verdade, ou uma mentira sobre o que realmente teria ocorrido em Varginha.
É de conhecimento geral que alguns eventos anteriores ao avistamento das criaturas apresentam indícios de uma origem não humana e também não terrestre, conforme relatado nos testemunhos do casal Eurico e Oralina de Freitas, que alguns dias antes do incidente, alegaram terem visto um objeto “igual um submarino” soltando fumaça e caindo lentamente na região, e também do professor de geografia Carlos de Souza, que afirma inclusive ter tocado em destroços de uma nave em forma de “charuto” que teria caído também na região alguns dias antes dos acontecimentos principais.
De qualquer maneira, os precedentes abertos e considerados por muitos “não tão necessários” por essa nova explicação para a origem dos seres do caso tendem a gerar ainda mais polêmicas e debates. Resta agora aguardar o lançamento do documentário para que seja possível formar uma opinião mais objetiva.
Até lá, façam suas apostas: deficiente mental, capivara, casal de anões, macacos das cavernas, drogado, ETs ou criaturas demoníacas. Tudo parece estar em jogo neste emblemático caso.
