O Caso Varginha parece estar longe do seu fim. Embora o recente documentário da Rede Globo, “O Mistério de Varginha”, tenha de fato trazido um abalo às estruturas do caso, o mistério em torno do famoso episódio está longe de acabar.
Acontece que ontem o pesquisador de fenômenos anômalos Rony Vernet divulgou arquivos obtidos via LAI (Lei de Acesso à Informação) no final do ano passado, dos boletins de ocorrência do Corpo de Bombeiros de Varginha na época.
No dia 20 de janeiro de 1996, no mesmo dia em que as “três meninas” teriam tido o avistado, o Corpo de Bombeiros local também teria capturado uma das criaturas, e é claro que isso deveria constar nos registros de boletins de ocorrência da instituição.
Deveria… pois parece que, se de fato a captura foi feita, e se for o caso, não poderemos saber oficialmente, já que alguns boletins correspondentes ao dia da captura estão desaparecidos, e os que foram disponibilizados estão rasurados, corrigidos com corretivo e renumerados.
Rony explicou que “se a gente pega os boletins que existem do dia 20, só existem nove. Quando você observa os números sequenciais, vê que todos foram rasurados, corrigidos com corretivo e renumerados. Além disso, conseguimos os originais, com a numeração inicial, e percebemos que 19 boletins simplesmente desapareceram. Por que esses boletins foram removidos?”
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Rony também explica que, para o dia 20, “nós temos apenas 9 ocorrências”, o que é estranho, pois se trata de um número extremamente baixo em comparação a outros dias.
Outro fato estranho é que, no dia do ocorrido, pela parte da manhã, consta apenas uma ocorrência nos registros, e ela envolveu uma ocorrência médica; porém, o tempo da ocorrência registrado é muito curto para uma ocorrência do tipo, dando mais um indicativo de manipulação dos autos.
Outra coisa suspeita é que, segundo os bombeiros sempre alegaram, naquele dia, na parte da manhã, eles estariam envolvidos em uma ocorrência de poda de árvores na região do Jardim Andere, algo que não aparece nos registros.
Além disso, os registros existentes mostram uma lacuna significativa no período da manhã. Há um boletim por volta das 10h e, depois, os próximos registros só aparecem à noite.
Na época, durante uma reportagem do programa Fantástico, o capitão Pedro Alvarenga revelou que, no dia, o Corpo de Bombeiros teve em torno de 34 ocorrências, ou seja, uma evidência de que de fato estão faltando boletins.

Em relação às rasuras dos boletins, o ex-comandante do Corpo de Bombeiros de Varginha afirmou que não houve tentativa de ocultar ocorrências e atribuiu as inconsistências a falhas comuns nos registros manuais.
“As ocorrências não eram digitalizadas, era tudo feito à mão. Se tivesse erro em uma numeração, às vezes era preciso corrigir várias. Isso pode ter acontecido naquele dia.” Entretanto, isso não explica a ausência de boletins.
Em relação a essas discrepâncias de registros nos boletins de ocorrência, o ufólogo João Marcelo, que atualmente vem na vanguarda cética em relação ao caso e defende que nada de extraordinário ocorreu naquele período, apresentou argumentos contrários aos defendidos por Rony em relação aos boletins.
Ontem, durante uma live no canal Projeto 93, ele argumentou que, assim como em outros dias e não somente no dia 20 de janeiro daquele ano, outros boletins também estão faltando e rasurados, o que não seria nada incomum, mas sim algo comum.
Então, estaríamos diante de provas de manipulação para acobertamento ou apenas de equívocos do tipo “I want to believe”?
Fato é que Varginha continua em cena. Se erros foram realmente algo rotineiro por parte do Corpo de Bombeiros, ainda permanece o número anormalmente baixo de ocorrências no dia (teriam que ser pelo menos 30) e a questão de por que os bombeiros sempre afirmaram estar realizando podas de árvores enquanto, supostamente, atendiam uma ocorrência médica.
Novo documentário de Rony ganha trailer
Seguindo a linha de revelação, o novo documentário de Rony Vernet, A Face Oculta de Varginha: Poder, Dinheiro e Rituais, teve seu trailer divulgado pelo pesquisador. Nele, antigas e novas testemunhas, inclusive militares, falarão sobre o incidente.
Trata-se de um projeto próprio do pesquisador, que apresentará uma nova ótica sobre a possível origem das criaturas relatadas em Varginha, imerso em um submundo ocultista que envolveria rituais, portais e uma dimensão ou realidade diferente da nossa. O novo documentário se baseará em contos e lendas envolvendo um personagem local que teria exercido forte influência no imaginário da população.
José Gomes de Oliveira, mais conhecido como Zé Gomes, foi um morador de Varginha, da região onde as meninas moravam. Os “causos” contam que ele realizava rituais envolvendo animais e pessoas em suas florestas de eucalipto e que possuía “um bode com olhos de fogo”, além de um “diabinho na garrafa”. Ele teria doado um enorme terreno de 10.000 m² para a igreja como forma de perdão por seus pecados. Outros relatos afirmam que ele teria envolvimento com o aparecimento dos “ETs de Varginha”, que, na verdade, seriam “diabinhos”, pois todos teriam surgido em sua floresta de eucaliptos em diferentes formas, alguns marrons lisos e outros peludos, ambos com olhos vermelhos e cheiro de enxofre.
O documentário tem estreia prevista para o dia 31 de janeiro e vem gerando expectativas no público que acompanha o trabalho do pesquisador. Além de expectativas positivas, também tem provocado expectativas negativas, já que uma parcela significativa dos pesquisadores do caso defende que o Caso Varginha se trata de algo extraterrestre propriamente dito, e não de algo metafísico. Seja como for, estaremos acompanhando o desenrolar de tudo isso.
Você pode acessar os novos documentos referentes ao Caso Varginha clicando aqui.
