Bruna Damaris Sant’anna da Silva, 26 anos, foi resgatada viva na manhã desta terça-feira, 26 de maio de 2026, após 42 horas à deriva no mar de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo. O mundo soube do milagre. Festejou. E seguiu em frente.
O que o mundo não soube, ou não quis saber, é o que, segundo relato veiculado ao vivo pela repórter Duda Vasconcelos, do programa Brasil Urgente, da TV Bandeirantes, Bruna teria revelado aos primeiros socorristas: que, pouco antes de caírem no mar, o homem que conduzia o jet ski, Dheorge Pereira Bernardino, de 28 anos, teria dito que viu “uma janela no céu” e que sua hora havia chegado.
Dheorge segue desaparecido.
O domingo, 24 de maio de 2026, começou como um fim de semana comum para um grupo de amigos de São José do Rio Preto reunidos em Ilhabela. Dheorge Bernardino, nascido no Ceará e radicado no interior paulista, havia chegado dias antes com colegas para uma confraternização em alto-mar. A festa corria bem, o sol estava aberto e o mar, aparentemente tranquilo.
Por volta das 16h, Dheorge e Bruna decidiram se afastar do grupo em uma moto aquática, saindo das proximidades da Praia de Ponta das Canas. Não avisaram e não estabeleceram horário de retorno. A embarcação do grupo voltou à marina no fim da tarde, sem eles.
Os amigos esperaram. Esperaram mais. E, quando a noite caiu sobre o arquipélago e nenhum sinal dos dois surgiu, acionaram o Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) e a Marinha do Brasil. As buscas começaram ainda na madrugada de segunda-feira.
O jet ski sem piloto a 22 km da costa
Na manhã de segunda-feira (25), pouco depois das 10h30, a Marinha localizou a moto aquática à deriva. Ela estava a aproximadamente 22 quilômetros da costa de Ilhabela, um dado que, por si só, já indicava a força do mar da região.
Nenhum ocupante foi encontrado junto ao veículo. A descoberta foi, ao mesmo tempo, um alento e um golpe: ao menos havia um ponto de referência para delimitar a área de buscas.

Um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) foi acionado para sobrevoar a região. O helicóptero Águia, da Polícia Militar, patrulhou as águas. Embarcações do GBMar e da Marinha vasculharam cada milha náutica ao redor do ponto onde o jet ski foi encontrado.
A segunda-feira terminou sem notícias de Bruna. Nem de Dheorge.
O milagre às margens da Ilha de Búzios
Na manhã de terça-feira (26), o pescador Alex Quintino dos Santos estava a bordo do barco Pôr do Sol II, pescando camarão, quando decidiu ir até a proa. Ele e o filho, Allan, avistaram algo no mar: uma pessoa acenando.
“Olha a distância que está ali, a pessoa nadando”, relatou Alex depois. “Na hora que puxamos, ela já implorou por água, por fruta, e ajudamos ela.”

Era Bruna. Estava a cerca de 16 quilômetros da costa, em direção noroeste, nas proximidades da Ilha de Búzios, entre 5 e 10 milhas náuticas do litoral. Com as mãos esbranquiçadas pela hipotermia, assustada, mas consciente, havia passado quase dois dias inteiros no mar aberto.
“Ainda bem que Deus colocou a gente lá fora para salvar essa vida dela”, disse Alex.
O que a grande mídia não deu atenção
Aqui começa a parte desta história que os grandes veículos preferiram não destacar.
Segundo relato transmitido pela repórter Duda Vasconcelos, do Brasil Urgente, da TV Bandeirantes, e identificado em um trecho de transmissão ao vivo publicado no Facebook da emissora, Bruna teria revelado, em estado de choque, um detalhe perturbador sobre os momentos imediatamente anteriores ao acidente:
Dheorge, segundos antes de caírem no mar, teria dito a ela que havia visto “uma janela no céu” e que sua hora tinha chegado.
Assista aqui ao vídeo a partir de 5:24 e confira você mesmo:
A frase, segundo a repórter, teria sido dita de forma espontânea antes da queda. Uma declaração que, se verdadeira, muda a interpretação do evento, que deixa de parecer apenas um acidente de lazer e passa a levantar outras hipóteses sobre o que ocorreu.
A transmissão ao vivo da Bandeirantes teria sido pouco repercutida. Grandes veículos como G1, Folha de S.Paulo, Estadão, Veja, UOL, Terra, Metrópoles e Jovem Pan não mencionaram esse relato, limitando-se a descrever Bruna como “em estado de choque e desorientação”.
A ausência de detalhes pode ser interpretada, por alguns, como critério editorial para evitar especulações, embora o desaparecimento de Dheorge mantenha o caso em aberto.
Ilhabela: o “Triângulo das Bermudas brasileiro”
A explicação física para parte dos fenômenos na região é conhecida, mas ainda chama atenção. As rochas do arquipélago são ricas em magnetita, um mineral com forte campo magnético. Por séculos, essa concentração interferiu em bússolas de embarcações que cruzavam o Canal de São Sebastião.
Estudos geológicos confirmam que amostras da Praia de Garapocaia são atraídas por ímãs, um fato científico que ajuda a explicar relatos históricos de desorientação.
O naufrágio mais conhecido foi o do transatlântico espanhol Príncipe de Astúrias, em 5 de março de 1916, quando o navio colidiu com a Ponta da Pirabura, resultando em 477 mortes, uma das maiores tragédias marítimas da história do Brasil.

Ilhabela mantém até hoje um Museu Náutico dedicado a naufrágios, com mais de 1.500 objetos recuperados do fundo do mar.
É nesse mesmo cenário que Dheorge Bernardino segue desaparecido.
Nesta quinta-feira (28), as equipes do GBMar e da Marinha do Brasil retomaram as buscas por Dheorge Pereira Bernardino, de 28 anos, sem novidades até o fechamento desta matéria.
