Na noite de 11 de novembro de 1995, o agricultor Olívio Corrêa, de 56 anos, morador de Estância Velha, no Rio Grande do Sul, saiu de casa para comprar carne em um açougue. Mas ele não retornou para casa naquela noite.
No dia seguinte, domingo, 12 de novembro, Olívio foi encontrado ferido e desorientado nas proximidades de sua residência, em uma área de mato. Ele apresentava ferimentos no rosto e havia perdido completamente os dois globos oculares.
O caso ficou ainda mais peculiar quando ele foi levado ao Hospital Banco de Olhos, em Porto Alegre. O médico Paulo Ricardo Vieira constatou que os globos oculares não estavam simplesmente destruídos: eles haviam desaparecido das órbitas, deixando cavidades relativamente limpas.
O médico declarou que o ferimento aparentava ter sido produzido “com técnica” e que a ausência dos olhos indicava a ação intencional de alguém que sabia o que estava fazendo. Isso imediatamente levantou a hipótese de que os olhos tivessem sido removidos cirurgicamente.
O mais estranho: Olívio não conseguia explicar o que havia acontecido.

Durante a investigação, Olívio apresentou versões diferentes. Segundo uma reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 16 de novembro de 1995, ele chegou a afirmar que havia furado os olhos ao cair sobre um espinho. Depois, disse que havia caído de uma motocicleta enquanto pegava carona e também mencionou ter recebido uma paulada. O delegado responsável considerou os relatos contraditórios.
Essa inconsistência acabou sendo uma das principais características do caso: havia uma vítima viva, mas aparentemente incapaz de reconstruir com segurança o período em que desapareceu.
Uma versão que surgiu posteriormente, atribuída à família, é ainda mais perturbadora. Segundo o jornalista Carlos Wagner, o filho de Olívio, Luiz Carlos Corrêa, teria contado anos depois que o pai relatava ter aceitado carona de desconhecidos.
Depois de percorrer aproximadamente 500 metros, um dos homens teria dito: “Não queremos nada mais do que seus olhos.”
A polícia investigou várias possibilidades. Inicialmente, uma das hipóteses foi o tráfico de órgãos. A polícia também considerou vingança e até a possibilidade de algum animal ter provocado a perda dos olhos.
Investigadores chegaram a considerar a possibilidade de urubus ou outras aves predadoras terem consumido os globos oculares. Entretanto, a hipótese de que os olhos simplesmente tivessem sido comidos por animais (além do fato dele estar vivo) entrou em conflito com a avaliação médica inicial, que descrevia lesões relativamente limpas e compatíveis com a utilização de um instrumento cortante.

A investigação considerou magia negra
Em dezembro de 1995, o prefeito de Estância Velha, Frederico Leuck, e sua esposa, Olga, chegaram a ser investigados por possível envolvimento no caso.
A polícia recebeu informações de que o casal teria ligação com uma suposta seita relacionada à magia negra. Os investigadores chegaram a realizar uma busca na propriedade do prefeito, mas, segundo a reportagem da Folha, não encontraram qualquer elemento que comprovasse o envolvimento do casal. O prefeito negou as acusações.
Muitas versões atuais do caso apresentam a ligação com magia negra como se fosse algo comprovado. Não foi.
O que existiu foi uma linha investigativa baseada em suspeitas e denúncias, e não uma comprovação de ritual.
Um enigma que nunca foi esclarecido

Mas o que realmente ocorreu com o Sr. Olívio Corrêa? Como já dito na matéria, ele tinha lembranças confusas e apresentou várias versões ao longo do tempo.
Algumas linhas de pesquisa, baseadas em uma de suas versões, defendem que algo bem sombrio e bizarro pode ter ocorrido. Em duas versões, ele relatou a presença de “pessoas”. Também em ambas as versões, ele apresentou lembranças de um “veículo”.
Numa delas, a primeira, disse que pegou carona e recebeu de um dos ocupantes o terrível aviso: “só queremos seus olhos”.
Em outra, sob hipnose, que infelizmente não trouxe maiores frutos, relatou se lembrar apenas de uma luz muito forte e ofuscante na estrada.
Mas talvez a que mais intrigue seja a versão em que ele relatou ter visto duas luzes bem ofuscantes de um “fuscão” que nunca o ultrapassava. De onde teriam saído “três motoqueiros” que o capturaram.
“Eu estava indo andando pela estrada, quando vi um farol vindo. Eu fui para a beirada da estrada, para não atrapalhar o carro na estrada, e então percebi que o carro não me passava nunca. Olhei para trás e vi aquele fuscão com luzes fortes que chegavam a doer as vistas. Fiquei parado, e daí de dentro do fusca saíram três motoqueiros. Eles me pegaram e levaram para dentro do fusca. Daí só me lembro da sensação de cair e da dor nas costas e de tentar abrir os olhos e não conseguir”, relatou ele nesta versão.

O que realmente seria esse tal fuscão com intensas luzes? E por que de dentro de um carro desceriam três pessoas que ele descreveu como motoqueiros?
Seriam apenas pessoas que usavam roupas de pilotagem e capacetes? Literalmente três motoqueiros que usavam capacetes para não serem reconhecidos, ou foi essa associação que seu cérebro lembrou e conseguiu fazer?
Na época, o caso chamou a atenção de ufólogos. Hernán Mostajo, presidente da Associação Brasileira de Pesquisas Ufológicas (ABPU), acompanhado de outros quatro pesquisadores, procurou o delegado responsável pela investigação e apresentou material sobre supostas mutilações atribuídas a extraterrestres. Os ufólogos consideravam a possibilidade de Olívio ter sido vítima de uma “estranha colheita”.
Olívio sobreviveu ao episódio e viveu por mais aproximadamente 15 anos.
Em 2010, aos 70 anos, morreu em Estância Velha em consequência de uma parada cardiorrespiratória.
O que aconteceu naquela noite, porém, permaneceu sem resposta. A investigação nunca conseguiu concluir o caso.
E talvez essa seja a parte mais perturbadora de toda a história: Olívio voltou para casa, mas jamais conseguiu explicar completamente quem ou o quê havia roubado seus olhos.
