Os fatos são os seguintes: Em 24 de junho de 1999, no bairro de Itapeti, na localidade de Santa Isabel, município da Grande São Paulo, próximo a Guarulhos, a senhora Alzira Maria de Jesus foi encontrada morta em sua cama. Devido à idade avançada e ao seu estado de saúde, Alzira necessitava de cuidados especiais e passava a maior parte dos dias deitada.
Naquela manhã, por volta das 8h10, sua nora, a dona de casa Sônia Aparecida da Rocha, de 25 anos, foi levar o café da manhã para Alzira. Ao entrar no quarto, encontrou a sogra imóvel na cama e chamou por ela algumas vezes, mas não obteve resposta. Ao perceber que Alzira já estava morta, Sônia pegou a filha e saiu de casa para procurar um telefone público, a fim de avisar o marido, Manoel Edvaldo da Silva, de 39 anos, filho da vítima.
Manoel trabalhava em uma banca de jornais e revistas localizada próxima a uma das entradas da Via Dutra, no sentido de Guarulhos. Ao receber a ligação, encerrou o trabalho e retornou para casa.
Enquanto aguardava pelo marido, Sônia permaneceu nas proximidades do telefone público com a filha por aproximadamente 60 minutos. Quando Manoel chegou ao local, encontrou as duas ainda junto ao orelhão. Os três, então, seguiram para a residência.
Ao entrar no quarto, Manoel se deparou com uma cena aterradora. Embora a mãe já estivesse morta, seu rosto havia sido completamente desfigurado. A pele e os tecidos da face, a cartilagem do nariz, a língua, os dois olhos e a orelha esquerda haviam desaparecido, deixando praticamente exposta a estrutura óssea do rosto.
O que tornava a situação ainda mais inexplicável era a aparente ausência de sangue. Não havia vestígios no travesseiro branco, nas roupas de cama ou nas proximidades do corpo. As partes que haviam sido removidas também não foram encontradas na residência.

Foi então que decidiram acionar a polícia. Pouco tempo depois, o delegado titular Jorge Vidal Pereira, de 44 anos, chegou ao local acompanhado de outros policiais e iniciou a investigação.
Durante a vistoria, os policiais procuraram algum vestígio de sangue, tanto no corpo quanto nas roupas de Alzira, na cama e em outros pontos da residência. Nada foi encontrado. O próprio delegado Jorge Vidal registrou no boletim de ocorrência:
“Esta autoridade observou que a vítima encontrava-se de decúbito dorsal trajando camiseta branca e não consta qualquer vestígio de sujeira de tecido humano ou de sangue, bem como restos de carne humana próximo ao corpo, ensejando assim que a violência ao cadáver tivesse sido provocada por animal.”
Outro delegado, Hélcias Nogueira Paranaguá Filho, também comentou o aspecto dos ferimentos. Segundo ele, pelo corte preciso encontrado no rosto de Alzira, caso não tivesse sido provocado por um ser humano, a outra possibilidade seria algo bastante incomum:
“Pelo tipo de corte perfeito encontrado na senhora Alzira, se não fosse um ser humano o responsável, teria que ser um extraterrestre.”
Durante a investigação, os policiais ainda encontraram uma pequena abertura na porta da cozinha, por onde poderia entrar um animal de pequeno porte. Jorge Vidal registrou no boletim:
“Esta autoridade constatou que na porta da cozinha do imóvel existe uma pequena fenda por onde pode entrar um pequeno animal, contudo não daria para provocar o dano no rosto da vítima como provocou sem deixar vestígios.”
O corpo da senhora Alzira foi despachado pelos dois delegados e enviado para o IML, e a família acabou ficando um longo tempo na casa de parentes. Os vizinhos é que estavam alimentando os dois cães pertencentes à família. Eles chegaram a argumentar, por um bom tempo, em vender a casa, pois não pensavam mais em voltar para ela.
Quanto à hora da morte, segundo informações obtidas junto aos policiais, ela teria ocorrido entre 2h10min e 2h15min daquela madrugada. Percebam que o laudo necroscópico não menciona o horário da morte, portanto, essa informação teria partido de algum dos delegados ou de algum policial envolvido na ocorrência.
Outro fato que chamou a atenção de todos foi que, após a perícia, o corpo foi imediatamente enterrado, sem haver o tradicional velório. Havia um cemitério ao lado do IML e foi ali mesmo que ela foi enterrada. Imaginamos que isso ocorreu por conta de seu estado. Imaginem uma senhora que morreu apenas de pneumonia estar em um velório dentro de um caixão lacrado. Que tipos de questionamentos não haveria? Não bastasse a imprensa em cima deles, com perguntas escabrosas para as quais não estavam preparados para responder.
Naquela mesma madrugada, um dos cães da família teria começado a uivar desde a 1h até cerca de 8h30min da manhã. Alzira faleceu às 2h10min e foi encontrada morta às 8h10min. Logo pela manhã, um vizinho teria relatado que seus cães também uivaram sem parar, no mesmo intervalo de tempo. Até então, imaginava-se que o motivo daquele estranho comportamento poderia ser alguma cadela no cio.
Em seguida, outro vizinho, um descendente de japonês que criava gansos, também teria reclamado que seus animais gritaram durante a noite, igualmente no mesmo intervalo de tempo.
Curioso observar que, se levarmos em consideração o comportamento dos animais, poderia-se concluir que o fenômeno que teria envolvido a vítima estava presente durante todo esse tempo. Isso significaria que “eles” estavam presentes ou na expectativa desde a 1h, horário em que os animais começaram a latir e a gritar.
A polícia, pressionada pela população e pela imprensa, acabou sugerindo a hipótese de crime por parte da nora. Essa hipótese gerou um problema maior envolvendo o relacionamento do casal e, depois de muita intriga entre eles, acabou havendo uma separação que durou pelo menos dois anos.
Aqui levanto os seguintes questionamentos: como uma pessoa simples, sem instrução e, por conseguinte, sem habilidade e conhecimento para realizar uma operação daquele tipo, poderia tê-lo feito? E, mesmo que o fizesse, como teria conseguido fazê-lo sem deixar vestígios de sangue nas regiões mutiladas? E como a polícia não encontrou nenhuma das partes extraídas da vítima? E a menina de apenas 10 anos não viu nada?
Hipótese totalmente infundada.
Para deixar a história ainda mais bizarra, 15 dias antes do ocorrido, ou seja, por volta do dia 9 daquele mês, a dois quilômetros do local da mutilação da senhora Alzira, morava uma senhora que era costureira e parente de um vizinho da família. Ela costurava até tarde e, por volta das 23h, escutou seu cão “salsicha” chorar.
Pensou com seus botões que se tratava de maus-tratos por parte de outro cão, maior e mais velho, que também lhe pertencia. Quando ia verificar, de súbito, percebeu o silêncio novamente e assim desistiu da empreitada, resolvendo dormir em seguida.
No dia seguinte, pela manhã, quando abriu a porta da cozinha, como fazia todos os dias, para oferecer o café da manhã aos seus cães, encontrou o cachorrinho “salsicha” morto e com a cabeça decepada.
A cabeça tinha sido perfeitamente seccionada.
Sônia Aparecida da Rocha, nora da aposentada, sempre insistiu em seus depoimentos de que ela tinha sido vítima de algo bizarro, algo fora do comum.
Foi feito o boletim de ocorrência na delegacia da cidade sob n°145/99 em 24 de Junho.

O exame necroscópico nº 473/99, realizado pelo Instituto Médico Legal de Guarulhos, concluiu que Alzira Maria de Jesus morreu em decorrência de um choque séptico provocado por pneumonia bilateral e empiema pleural. O documento também registrou que as extensas lesões encontradas em seu rosto ocorreram após a morte, já que não apresentavam sinais de reação vital.
Segundo os legistas, havia ausência de grande parte da pele do rosto, dos dois olhos, da orelha esquerda, dos dentes e de parte da língua. As bordas das lesões eram irregulares, com pequenas marcas de 3 a 5 milímetros, além de áreas raspadas com exposição do periósteo. Para os responsáveis pelo exame, essas características eram sugestivas da ação de animais predadores de pequeno porte, apontando os roedores como responsáveis pela mutilação.

Estranha colheita?
O caso de Santa Isabel se junta a outros episódios envolvendo a hipótese de uma atividade desconhecida e, para alguns pesquisadores, possivelmente não humana. Entre eles está o polêmico Caso Guarapiranga, ocorrido anos antes, também no estado de São Paulo.
Encontrado em 1988, o corpo de Guarapiranga apresentava uma série de mutilações que chamaram a atenção justamente por sua semelhança com os padrões descritos em casos de mutilação de animais associados à casuística ufológica. Entre as características apontadas estavam a remoção dos olhos, partes da orelha e da mucosa labial, além de incisões precisas em diferentes regiões do corpo e a retirada de partes internas.
Em Santa Isabel, embora o quadro seja diferente e muito menos extenso, também foram encontradas características que alimentaram a comparação: a remoção de grandes áreas da face, dos olhos, da orelha esquerda, dos dentes e de parte da língua, com bordas irregulares e sem sinais de reação vital.
Outro ponto que chama a atenção é a ausência de sangue. No caso de Santa Isabel, os policiais não encontraram vestígios de sangue no corpo, nas roupas, na cama ou em outros pontos da residência, apesar da extensão das mutilações. O próprio exame necroscópico concluiu que as lesões haviam ocorrido após a morte. No caso Guarapiranga, a ausência ou a quantidade aparentemente incompatível de sangue também foi apontada como um dos elementos que contribuíram para a controvérsia em torno das mutilações.
É justamente essa repetição de padrões que levou alguns pesquisadores e ufólogos a relacionar esses episódios ao conceito de uma “estranha colheita”: a possibilidade de que determinados seres ou uma inteligência desconhecida estejam realizando a retirada sistemática de tecidos e órgãos de animais e, em casos extremamente raros, de seres humanos.
Se essa hipótese estiver correta, Santa Isabel e Guarapiranga poderiam representar manifestações distintas de um mesmo fenômeno.
No caso de Santa Isabel, porém, a ocorrência permanece indeterminada. Embora o exame necroscópico tenha apontado a ação de pequenos animais predadores, essa explicação não parece justificar completamente todas as nuances que envolvem o caso, especialmente a extensão e as características das mutilações, bem como a ausência de vestígios de sangue observada no local.
